Álvaro queimou sua largada na corrida pelo Palácio do Planalto

O senador Álvaro Dias, homem público experiente e bom de palanque, não consegue repetir tal desempenho em debates eleitorais. Candidato a presidente da República, na quinta-feira, no primeiro debate nacional, ao lado de outros sete concorrentes, teve um desempenho pífio, tropeçando já na resposta da primeira indagação, quando, ao contrário de responder a pergunta sobre geração de emprego, delirou ao falar de sua infância, como “menino da roça”, do município de Quatá, em São Paulo. Lembrado pelo jornalista Ricardo Boechadt, mediador do debate da Band, de que seu tempo havia esgotado e de que não havia respondido à pergunta que lhe fora feita, Álvaro não se encontrou mais no programa, comprometendo, assim, a sua primeira impressão ao público brasileiro como aspirante a presidente da República. Em se tratando de um político tarimbado e astuto, a falha chega parecer imperdoável. Ao eleitor brasileiro era muito mais importante saber o que pretenderia fazer na geração de emprego, afinal, há um contingente preocupante de 13 milhões de desempregados, do que discorrer sobre a sua condição de “menino da roça”, de Quatá.

Aliás, nas eleições de 2002, para o governo do Estado, Álvaro foi derrotado por Roberto Requião. Na verdade, a segunda derrota, eis que, em 94, tentou voltar ao Palácio Iguaçu, mas perdeu para Jaime Lerner, na sucessão de Requião, que o havia sucedido em 91. E, na campanha de 94, teve um sofrível desempenho nos debates, especialmente no segundo torno, com o antigo aliado, Roberto Requião, o que foi determinante para a sua derrota.

Álvaro, que se elegeu senador em 1982 e, depois, voltou a se eleger 98 e a se reeleger em 2006 e 20014, é um nome de prestígio, aqui no Paraná, mas nunca conseguiu se projetar para o cenário nacional, ainda que sempre tenha desempenhado uma vistosa ação parlamentar, notadamente, ao tempo do PT no Palácio do Planalto, em que foi um dos mais vigorosos oposicionistas, com respeitável espaço na mídia nacional. Ainda, assim, nunca foi um nome nacional.

Talvez, por conta disso, pretendeu se apresentar como “menino da roça”, no debate de quinta-feira da Rede Bandeirantes de Televisão, o que lhe custou o constrangimento de ter fugido do tema que lhe foi proposto, e frustrado, em especial, o eleitor do Paraná, que esperava ver um Álvaro, de terno e gravata, desenvolto, objetivo e firme nas suas posições.

Considerando a máxima da cultura popular, que encontra amparo em disciplinas curriculares, de que a primeira impressão é a que vale, a que fica, a que conta, o senador Álvaro Dias, como candidato a presidente da República, não provocou no eleitorado brasileiro uma boa primeira impressão. Diferente, por exemplo, do deputado Jair Bolsonaro, que mesmo tendo um desempenho, igualmente pífio, mas tem suas legiões de admiradores que pouco estão se importando com o que ele disse, ou deixou de dizer no debate.

Álvaro foi um bom governador e tem sido prestigiado pelo eleitor do Paraná, o que explica a longevidade de sua carreira política, com seus quatro mandatos de senador, o que não é pouco, nem corriqueiro na Câmara Alta da República.

Como candidato ao Palácio do Planalto, o senador Álvaro Dias será um nome do Paraná, e não mais do Sul, eis que a lhe roubar tal condição está a senadora Ana Amélia, do PP do Rio Grande do Sul, como vice do ex-governador paulista Geraldo Alckmin. Ana Amélia, como Álvaro, também se revelou uma corajosa e combativa crítica aos desmandos dos governos do PT, no Senado da República.

O “menino da roça” de Quatá, com certeza, continuará sendo um senador, pelo Paraná. A menos que, na campanha, possa reverter a primeira impressão e causar um impacto positivo no eleitorado, ao detalhar a sua proposta de refundação da República, que é interessante. Aliás, muito mais interessante que a condição de “menino da roça” de Quatá.

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