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Beto Richa pode pagar por sua própria incompetência política

Para o Senado da República, o Paraná passa a ter à disposição do eleitorado três nomes competitivos para as duas vagas ofertadas, o ex-governador Beto Richa, o senador Roberto Requião, que disputa sua reeleição, e o professor Oriovisto Guimarães, dono do Grupo Positivo, uma das grandes referências nacionais no campo privado da Educação. Aliás, é um nome a ser apreciado pelo eleitorado, com especial atenção, pelo seu preparo e pelo desejo de, no amadurecimento da vida, se oferecer para um trabalho em favor da causa pública, no contexto do anseio nacioinal de ver uma renovação, com qualidade.

O senador Roberto Requião tem chances reais de renovar o seu mandato, por se colocar, competentemente, como o único nome da esquerda nessa postulação eleitoral, eis que sua companheira de Senado, Gleisi Hoffmann, se rendeu ao tiroteio de acusações que pesa contra si, no campo da corrupção, tendo, para sobreviver politicamente, optado por buscar um mandato de deputada federal, o que deve conquistar. Com isso, o único nome da esquerda, no Paraná, a merecer o voto preferencial do eleitor de esquerda para o Senado da República é o próprio Roberto Requião.

Enquanto isso, o ex-governador Beto Richa pode encontrar pedras em seu caminho, muito além do que possa esperar, pois, se, de um lado, tem a incomodá-lo denúncias de corrupção em seu governo, que ele nega, de outro lado, é um candidato em raia própria, sem uma presença visível do grupo ao qual optou por compor nessa campanha.

E o seu grande erro foi o de ter permanecido sete anos e meio no Palácio Iguaçu e não ter tido a capacidade política de produzir um candidato à sua sucessão, que, nesta quadra dos acontecimentos, lhe assegurasse vistoso e forte apoio para chegar à Câmara Alta da República. No primeiro mandato, teve como vice-governador o ex-senador Flávio Arns, uma figura de respeito da vida pública paranaense. Ao contrário de conservá-lo no segundo mandato, fez a opção, já pressionado, pela então deputada Cida Borghetti, uma imposição do marido, Ricardo Barros, para o apoio do PP à sua reeleição, eis que o próprio Ricardo havia colocado o nome do irmão, Silvo Barros, para disputar o Palácio Iguaçu. Uma espécie de moeda de troca, para a negociação de apoio ao governador Beto Richa. E Beto cedeu.

Agora, por imposição do mesmo Ricardo Barros, a sua esposa, a governadora Cida Borghetti, é candidata à reeleição. E Cida não é candidata de Beto Richa, como Ratinho Júnior também não é candidato de Beto Richa, ainda que tenha servido seus dois governos, na estratégica Secretaria de Desenvolvimento Urbano, fonte de grandes e vistosos recursos financeiros para os municípios do Estado. Assim, o ex-governador Beto Richa está muito mais para um candidato avulso ao Senado, com o previsível risco de ver muitos de seus aliados, que, para todos os efeitos, estão na coligação de Cida Borghetti, correrem para a campanha de Ratinho Júnior, por estar este na condição de o candidato mais competitivo ao Palácio Iguaçu. E, na ocorrência desse fato, o deputado Ricardo Barros, marido da governadora Cida Borghetti, vai patrocinar o esvaziamento de apoio à corrida de Beto ao Senado, dentro da coligação da governadora.

Ainda que, à primeira vista, a candidatura do antigo vice Flávio Arns não ofereça perigo, mas é bom considerar que, como candidato ao Senado também vai tirar preciosos votos que seriam de Beto Richa. Mais, não custa lembrar que, em 2002, candidato ao Senado, para surpresa geral, ganhou a eleição.

Beto, se fez uma boa obra administrativa, foi um político pouco hábil. E, agora, amarga essa falta de habilidade política.

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