Quem pede a volta dos militares, é por não acreditar mais nas lideranças civis

Tivemos vinte anos de regime militar, e a classe política não aprendeu nada, além de fazer coro para o restabelecimento da democracia, a volta das eleições diretas e o fim da ditadura. Nisso tudo, o único erro foi o fato de os militares terem exagerado no tempo de permanência no comando do País. Quanto ao combate com a guerrilha,
afora a vitimização dos que perderam no confronto armado, nada houve de prejuízo a sociedade civil, eis que, num balanço geral, o País avançou, e o povo viveu um tempo de paz, de bem-estar, de segurança. Não havia escândalo de roubalheira do dinheiro público, nem essa bagunça generalizada dos dias atuais, com o mundo do crime organizado desafiando o poder, que não governa, que não tem poder.
A classe política tem se revelado, no gerenciamento da coisa pública, em seus diferentes níveis de governo, um desastre administrativo e um conjunto de assaltantes do dinheiro público. Se a trágica experiência com o PT foi um desastre moral, social e político, pouco há para se falar dos demais partidos que passaram e se encontram no gerenciamento da coisa pública, relativamente, ao respeito ao dinheiro público.
Com o fim do regime militar, que se esgotou por si próprio, com os cinco intermináveis anos de indolência do general João Baptista Figueiredo na Presidência da República, o Brasil passou a viver a normalidade democrática, em meio a esperteza dos governantes civis, num conluio com os poderes da República, que produziu o mais longevo processo de impunidade, numa ação de recíproca cumplicidade do banditismo institucionalizado. Aliás, isso tudo chegou a ganhar uma denominação – o crime do colarinho público. Crime esse que se expandiu, por todo o território nacional, até há pouco tempo, quando surgiu a Operação Lava Jato, há cerca de quatro anos atrás. Porém, foram trinta anos de pura e cristalina impunidade, com pouca margem de segurança no avanço dessa operação, porque nem todos os grandes bandidos estão presos.
Diante de tudo isso, as pessoas de bem estão a pedir a volta dos militares, não para uma nova ditadura de mais vinte anos, mas, sim, para restabelecer a moralidade na administração pública, pelo absoluto descrédito na classe política. Do vereador ao senador, do prefeito ao presidente da República, não há ninguém que exiba o respeito da sociedade. As eventuais honrosas exceções estão, por serem tão exceções, muito distantes do olhar e do enxergar das pessoas de bem.
Não há que se criticar e se condenar, pois, o grito que está vindo das ruas pela volta dos militares, é pelo restabelecimento da moral e da dignidade públicas. É preciso revisitar a História e admitir a realidade da desordem e da imoralidade que estão a tomar conta do dia-a-dia da sociedade nacional. No passado, as pessoas respeitavam a figura da autoridade pública. Respeitavam o professor, na sala de aula. Hoje, não se vê nenhuma autoridade pública a merecer o respeito da sociedade. E o professor, verdadeiro sacerdote da educação e da formação do ser humano, é açoitado pelos governantes e desrespeitado pelo aluno, em sua sala de aula. E ninguém faz nada para combater esse quadro criminoso, que está a desconsiderar e a desmerecer a própria sociedade. É triste olhar para o futuro de uma sociedade que não valoriza e não respeita a figura do professor. E essa realidade está aí, no dia-a-dia. Como está a realidade do político oportunista, desonesto, ladrão. A realidade vergonhosa de um presidente da República sem moral, eivado de acusações de práticas desonestas e rodeado de amigos desonestos, elevados por ele à condição de autoridades públicas. Respeitar a quem?…
O apelo, portanto, pela volta dos militares é o que resta de esperança, pois, se não existe mais dignidade nos poderes da República, as instituições militares ainda preservam disciplina, ordem, respeito. Mais, preservam dignidade e moral. Tudo o que deseja a sociedade dos brasileiros de bem.

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