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Diesel virou senha e pretexto para radicalização do movimento

O movimento dos caminhoneiros caiu do céu para os que esperavam uma oportunidade para transformar o pedido da categoria em ação política para a derrubada do governo do presidente Michel Temer. É que, de modo impressionante, os caminhoneiros conseguiram, em vinte e quatro horas, parar o Brasil.

Os profissionais da estrada deram demonstração inequívoca de força de mobilização. E, à força dos caminhoneiros, é preciso que se agregue a fragilidade do governo e o esgotamento de paciência da sociedade brasileira. Tanto que o movimento ganhou o apoio de todos os segmentos, surpreendendo, até mesmo, os primeiros coordenadores da idéia de fazer o governo baixar o preço do óleo diesel. O preço baixou e o movimento seguiu adiante, querendo, agora, que baixe o próprio governo, não mais preço, mas, sim, à sepultura.
O problema é que esse movimento, que tomou outros rumos e passou a ter comandos invisíveis, está a provocar prejuízos em escala preocupante a toda à sociedade, impondo um agravamento na crise econômica do País. Prejuízos irrecuperáveis, como os que estão acontecendo no agronegócio. Ironicamente, no segmento que mais tem sustentado o desempenho da economia nacional. Produtores rurais, em todos os seus segmentos, estão a contabilizar perdas irreparáveis.
Diante de um governo fraco e impopular, os caminhoneiros acabaram se prestando a fazer com que seus pleitos se estendessem para todos os segmentos produtivos, ao mesmo tempo, em que virou mula sem cabeça, protagonizando uma cruzada pela derrubada do governo de Michel Temer.
O grito de guerra que estava engasgado na garganta da sociedade viu na mobilização dos caminhoneiros a grande oportunidade para montar uma portentosa trincheira para abater o presidente Michel Temer e seu governo.
É, com certeza, a exibição mais catastrófica da insatisfação popular com o acúmulo de desordem administrativa e prática de corrupção dos governos que têm se sucedido a partir do final do regime militar, em 1985. O grito de insatisfação está no ar, e Temer, que vinha cambaleando no comando de um governo desastrado, agora, de vez, passa a não reunir as mínimas condições para continuar no Palácio do Planalto. Mais que prestígio político, Michel Temer perdeu o respeito do cidadão comum, que não agüenta mais pagar imposto e ser violentado por um governo sem rumo e sem direção.
O clamor, que está se fazendo ouvir, pelo retorno dos militares ao poder, é produto de uma classe política incompetente e desonesta, que, com a saída dos militares em 85, se apoderou do poder político para benefício próprio. E isso tudo foi inaugurado com o primeiro presidente civil, depois do regime militar, José Sarney, seguido de Collor de Melo, de Lula e de Dilma Rousseff. Se há exceções, nessa fila presidencial, elas se chamam Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso.
O povo cansou de ser açoitado por dirigentes incompetentes e desonestos. Tão incompetentes, quanto desonestos. E Temer, que era vice de Dilma, seguiu na mesma toada da incompetência e da desonestidade.
E o descontrole, agora, do movimento dos caminhoneiros aponta para a saída de Michel Temer do Palácio do Planalto. E, por não acreditar mais na classe política, está pedindo uma nova edição de um regime militar. E quem pode evitar a volta dos militares é o próprio Michel Temer, pela renúncia. Ou, na natural falta de patriotismo de Temer, o Congresso Nacional. Mas, o Congresso Nacional, constituído, em sua esmagadora maioria, por verdadeiros ladrões do dinheiro público, não tem moral para destituir Temer.
Só que o tempo é curto para qualquer das duas decisões. Curto, mas ainda existe.

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