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O 31 de março de 1964 pode se repetir no 31 de maio de 2018. Diesel virou pretexto

O povo nas ruas está pedindo a derrubada do governo. Ou o fim do desgoverno, como aconteceu em 1964. O povo cansou de ser explorado, enganado, roubado. O povo não aguenta mais uma carga tributária que não produz benefício ao País. O povo cansou de apanhar.
Em 1964, o povo saiu às ruas pedindo a derrubada do governo do presidente João Goulart, que não governava mais,

que não tinha autoridade e que estava conivente com um projeto de reforma de bases, que pretendia levar o País a uma ditadura de esquerda. Não foram os militares que deram um golpe de Estado; foi o povo que pediu que os militares assumissem o comando do País, porque a classe política estava desacreditada, inerte, omissa.
Em 30 de dezembro de 1992, o Senado aprovou o impeachment do presidente Collor por ter ele perdido a credibilidade como chefe de Estado, por não ter conseguido cumprir com as promessas aventureiras da campanha eleitoral que o elegeu em 1989. Sem o apoio popular e sem sustentação no Congresso Nacional, Collor foi o primeiro presidente da Republica a ter seu mandato cassado.
Mais recentemente, agora, em 31 de agosto de 2016, o povo, novamente, foi às ruas pedir a saída da presidente Dilma Rousseff, pelo descontrole do governo que levou o País a sua mais grave crise econômica, em meio a denúncias de corrupção, envolvendo ministros de seu governo e integrantes dos governos de seu padrinho e antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. E o Senado aprovou, então, o segundo impeachment de alguém posto pelo voto popular na Presidência da República.
Vice de Dilma, Michel Temer não teve a visão de seu compromisso perante a História do Brasil, e montou um governo com ministros acusados de corrupção, além dele próprio, esquecido que sua antecessora havia sido apeada do poder por incompetência administrativa e conivência com a prática de corrupção. Tudo o que ele está a reprisar.
Cercado de figuras denunciadas por corrupção, como o advogado José Yunes, e os ex-deputados Elizeu Padilha e Moreira Franco, seus amigos pessoais, Michel Temer gastou seu estoque de credibilidade com a Câmara dos Deputados, em duas ocasiões, em que necessitou dos votos da maioria dos deputados para não virar réu no Supremo Tribunal Federal e, assim, ser apeado da Presidência da República, com chances remotas de retornar ao cargo. Com isso, perdeu o comando do governo, o apoio no Congresso Nacional e o respeito da sociedade brasileira. Seu governo virou um desgoverno, como de João Goulart, que está, agora, a se defrontar com os caminhoneiros do Brasil, paralisados pelo contínuo desrespeito a eles numa política desastrada de reajuste dos combustíveis, que se tornou incompatível com o preço do frete.
Cansados desse açoite fiscal, que estava as inviabilizar suas atividades, os caminhoneiros deram uma demonstração de força, e pararam o Brasil, há uma semana. E o povo, em apoio a eles, está nas ruas. E nem tanto mais pelo preço do diesel, mas, sim, por não aguentar mais um governo sem autoridade moral, um Legislativo sem autoridade moral, um Supremo Tribunal Federal desacreditado e que inspira insegurança jurídica, com o País caminhando para o caos e o povo para a desesperança com seus negócios e sua sobrevivência, e que assiste, agora, um presidente sem autoridade moral, num rasgo de desespero, convocar a Força Nacional para combater os caminhoneiros, sem que tal gesto tenha produzido o efeito desejado, pois, entre os próprios militares, há claras demonstrações de descontentamento por estarem sendo usados para defender quem não merece. As Forças Armadas são o Povo e pelo Povo estão sendo chamadas a retomar o comando do Brasil, pela incompetência e desmoralização de sua classe política.
E, aí, chegamos a constatação de que a História parece gostar dos finais de meses, eis que, depois do 31 de março, do 30 de dezembro e do 31 de agosto, é possível que tenhamos um 31 de maio. O Brasil merece.

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