Só o apoio a Lava Jato poderá quebrar a indiferença do povo diante das eleições

Esse ambiente frio, de quase indiferença, da população, com vistas ao processo eleitoral, parece indicar o surgimento, ao final de tudo, de uma grande surpresa. E, aí, reside o perigo, por não ser possível se avaliar que tipo de surpresa pode aparecer, se para o bem, ou para o mal.

Primeiro, temos o risco de uma grande abstenção, o que abre um caminho perigoso para uma surpresa indesejável. É que, neste caso, os que desejam fazer da ausência uma forma de protesto pertencem a segmentos esclarecidos, sem ativismo político. E isso favorece ao pessoal da esquerda, que, quanto mais radical, mais ativista é e que, nem de longe, pensa em abstenção. Num balanço rápido, essa força da esquerda, nesse cenário, leva vantagem.
Diante da constatação dessa falta de motivação do eleitor, está faltando um nome com um discurso afirmativo, um discurso que eleja como prioridade a Operação Lava Jato, no panorama alargado para um novo e promissor proceder de toda a sociedade, de modo a se reverter a cultura da corrupção, da desonestidade, do assalto ao dinheiro público. E esse discurso afirmativo precisa, sim, acontecer em cima da Lava Jato, por se constituir esse conjunto de investigação e julgamento de criminosos no acontecimento de maior significado na história contemporânea do Brasil. A Lava Jato é, hoje, a única fonte de resgate da esperança para o cidadão de bem, o trabalhador decente, seja empresário, seja operário, seja profissional liberal. Há um enorme vazio nesse contexto da quadra nacional, neste ano de eleição. Aliás, a primeira eleição nacional com os feitos da Operação Lava Jato. Há quatro anos, até por um certo prurido, a Lava Jato, em seus primeiros passos, evitou escancarar seu projeto de combate a corrupção, naquele momento, para prevenir acusações de oportunismo eleitoral. Quatro anos depois, é possível contabilizar feitos notáveis da Lava Jato, a despeito de todo o esforço que é feito em Brasília para conter os profissionais da República de Curitiba, que trabalham no Ministério Público Federal, na Polícia Federal e na Justiça Federal, de Primeira Instância, em que o juiz Sérgio Moro é tido e havido, hoje, como o grande símbolo de todo esse extraordinário e portentoso instrumental do combate, sem trégua, ao mundo do crime organizado.
A Operação Lava Jato merece compor, sim, a plataforma do debate eleitoral deste ano, até mesmo para que, de repente, seja ela transformada em Política Pública, de caráter permanente, para premiar as pessoas de bem e fortalecer as instituições democráticas, proclamando-se a uma convocação geral da sociedade nacional para um combate diuturno a toda a forma de desonestidade e assalto ao dinheiro público. E essa convocação está faltando neste embrionário e insosso processo do debate político para as eleições de outubro. E isso vale para um candidato a presidente da República, a governador, a senador, deputado federal e deputado estadual.
Vale para um partido político, para essa coisa bonita da democracia, que ainda não temos no Brasil. A oportunidade é propícia. Basta o desfraldar da bandeira da Lava Jato. E tudo o mais haverá de ser consequência. Didática, educativa, transformadora. Mais, salvadora do Brasil.

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