Temer apostou alto na Previdência e, de repente, aparece com a intervenção

O presidente Michel Temer está no comando de um desgoverno, produzindo a maior insegurança no País. Primeiro, jogou todas as fichas que tinha nas mãos para salvar o seu próprio pescoço nas duas denúncias de prática de corrupção. Depois, ficou praticamente seis meses hipotecando o governo para a Reforma da Previdência. Foi um tempo precioso, com a escalação de políticos importantes

no comando do processo das negociações. A votação, que era para ter acontecida até o final do ano passado, acabou sendo transferida para o dia 19 de fevereiro, segunda-feira desta semana. Aí, convencido de que não havia voto suficiente, resolveu tirar da manga uma carta, que imaginava importante na mesa do jogo, uma intervenção na Segurança Pública no Rio de Janeiro. Intervenção, no que reza a Constituição, não se faz por setor. Se o governador do Estado reconheceu que o governo havia perdido o controle sobre a Segurança Pública no Estado, a intervenção haveria de se dar no governo, porque se há incompetência numa área, seguramente, essa falta de comando se estende para outras áreas também. É o retrato do Estado do Rio de Janeiro. E que não é de agora.
Com voto ou sem voto, o governo deveria ter mantido o calendário da votação da Reforma da Previdência, até no esforço e no dever da satisfação a sociedade de seu empenho pelo assunto. Se a Reforma da Previdência não passasse, o maior perdedor seria o País e não apenas o governo. Esse haveria de ser o discurso, até para responsabilizar todos os que tivessem contribuído para essa eventual derrota. Se o tema era, como as lideranças mais consequentes do País reconhecem – e não apenas as lideranças políticas -, que o teste da votação se consumasse, até por conta de todo o do esforço dos líderes aliados na Câmara Federal, pela efetivação da votação do tema polêmico.
Reconhecendo a própria fragilidade política, na questão da Reforma da Previdência, que sempre foi dito e repetido tratar-se de prioridade absoluta do governo, eis que o presidente Michel Temer partiu para a aventura de algo singular, diferente, de impacto, esperançoso de se ver aplaudido pela coragem de decretar uma intervenção na escalada do mundo do crime do Rio de Janeiro. E, com isso, enterrou o projeto da Reforma da Previdência, que, ingênua e perigosamente, chegou a ser admitido que a intervenção poderia ser revogada, durante uma semana, caso as lideranças políticas assegurassem a existência de votos suficientes para a aprovação da reforma. Mas, logo em seguida, essa ideia de amadora malandragem foi descartada, como um recado ao governo de que o texto da Constituição merece maior acatamento, de parte do Palácio do Planalto. Intervenção federal não pode ser tratada como algo que se aprova agora, se revoga na semana seguinte, e se retoma dez dias depois.
Definitivamente, o Brasil tem um governo fraco e sem rumo. O que é muito perigoso, pois, temos um ano inteiro pela frente, com esse governo fraco a decidir ao longo de todo esse período, com um processo eleitoral que se aproxima. Que ano será esse? É a pergunta que merece ser colocada na mesa, diante do calendário deste ano de 2018.

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