De independente para governista de obras anunciadas, Pauliki mudou muito

O deputado Márcio Pauliki, que pertence ao PDT do ex-senador Osmar Dias, no início de seu mandato se proclamou “independente”. Está cumprindo o seu primeiro mandato e muito tem se empenhado para se aproximar do governo, através do deputado Plauto Miró Guimarães Filho, do DEM, estabelecendo, com Plauto, inclusive, uma estranha parceria.

Em situação de procedimento normal na política, poder-se-ia dizer que essa parceria merece ser vista como uma próxima dobradinha, fechada, nas eleições deste ano, uma vez que Pauliki tem anunciado que vai disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Acontece, entretanto, que Pauliki virou fiel escudeiro do ex-senador Osmar Dias, enquanto Plauto se mantém fiel ao governador Beto Richa. E Osmar e Beto estarão em palanques diferentes na campanha eleitoral, porquanto Osmar vai disputar, de novo, o Palácio Iguaçu, como candidato de oposição ao governo de Beto, enquanto Beto deve apoiar a candidatura do deputado Ratinho Júnior. A partir daí, não há como se imaginar uma dobradinha de um deputado do palanque de Osmar, fazendo críticas a Beto, com outro deputado, amigo e aliado de Beto. Mas, Pauliki tem surfado nas ondas de Plauto, que é aliado, de primeiríssima hora, do governador Beto Richa. No mínimo, uma postura de oportunismo. Até porque, não custa lembrar, pois não faz tempo, Pauliki discursava, enfatizando que não era “deputado de camburão”, numa alusão ao confronto aberto entre Beto Richa e a categoria do magistério, no início deste seu segundo governo. Disse isso, por exemplo, na solenidade de inauguração da sede do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais.
E como, nas redes sociais, estão falando muito em lealdade na política, o ideal seria que o político, antes de tudo, fosse leal ao povo. Significa que, numa eleição, quem ganha, ganha para governar, e quem perde, é escalado na oposição para fiscalizar o governo que ganhou. Essa é a regra básica da democracia. O povo escala quem vai gerir o seu dinheiro, ao mesmo tempo, em que escala também quem vai fiscalizar a aplicação desse dinheiro. Vale, pois, dizer que, como Plauto venceu na base governista, é deputado que tem o dever de apoiar o governador Beto Richa, enquanto Pauliki, que perdeu com Osmar, teria a obrigação de estar fiscalizando as ações do governo de Beto Richa.
Entretanto, na oposição só sobrevive o político competente, nunca o oportunista. Um exemplo? O senador Álvaro Dias, que foi oposição firme ao longo dos treze anos de governos petistas e se mantém oposição ao governo de Michel Temer, está agora se apresentando com candidato a presidente da República. Ao longo do mesmo período petista, Osmar, irmão mais novo de Álvaro, esteve servindo, de bom grado, os governos petistas de Lula e Dilma. Estão falando em lealdade e coerência, não é mesmo? Pois, está aí esse caso dos dois irmãos.
Agora, eis que Pauliki anuncia a construção de um Centro de Triagem para 520 presos provisórios, em Ponta Grossa, com investimentos da ordem de R$ 23 milhões, como sendo uma conquista sua. E, aí, dando lição de coerência e de ética política, a professora Elizabeth Silveira Schmidt, vice-prefeita, contou que, enquanto prefeita interina, o diretor do Departamento Penitenciário lhe telefonou, anunciando um investimento de R$ 23 milhões para um Centro de Triagem e solicitando que o Município providenciasse a desapropriação de uma área próxima ao Presídio Hildebrando de Souza. E diz a vice-prefeita: “Não divulguei antes, por acreditar que seria prerrogativa do governador!”
Bela lição de ética da professora e vice-prefeita Elizabeth Silveira Schmidt!

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