Júlio Kuller, que perdeu o endereço de casa, pode estar sendo o cincerro de Aliel

O ex-vereador e ex-candidato a prefeito Júlio Kuller, pelo PMB, acaba de se transferir para o MDB e, por esse seu quinto partido, se candidatar a deputado estadual. No geral, os políticos se parecem muito com jogadores de futebol, que ficam beijando a camisa do dia, que vestem, num gesto pouco fiel a convicções pessoais. Vale o exemplo do próprio Júlio Kuller, que começou sua carreira no PPS,

por cujo partido foi vereador duas vezes e secretário municipal da Assistência Social. Depois, trouxe o PSD para Ponta Grossa, de onde se transferiu para o PMB, por cuja legenda disputou a Prefeitura Municipal, em 2016, tendo, no segundo turno, apoiado o deputado federal Aliel Machado, da Rede, partido para onde foi também, deixando o PMB. E, agora, assinou, pela quinta vez, uma ficha partidária. É a nova camisa que vai beijar, em público.
O ex-vereador Júlio Kuller parece estar construindo um currículo cheio de contradições. Correligionário e companheiro do prefeito Marcelo Rangel, de quem foi secretário municipal, concorreu contra ele, a prefeito, e, na campanha, se tornou o seu mais ácido crítico, depois de ter pertencido a sua equipe de governo, por cerca de três anos. Ora, se a administração de Marcelo, em seu primeiro mandato, foi tão ruim, quanto acusou na campanha, ele próprio teve culpa no desastre da administração, pois lá estava.
E, na campanha, no primeiro turno, de repente, viu bater à sua porta o deputado Márcio Pauliki, que, curiosamente, não permitiu que o PDT tivesse candidato próprio à sucessão municipal. Diante do anúncio do empresário e ex-vereador Roberto Mongruel em colocar seu nome para ser o candidato do PDT, Pauliki se apressou em dizer que o candidato seria ele próprio. Com isso, Roberto recuou para, logo, em seguida assistir o deputado do seu partido vestindo a camisa inteira da campanha de Júlio Kuller.
Com o apoio de Pauliki, Júlio Kuller, em números redondos, bateu na casa dos trinta mil votos, boa votação como referência para o pleito seguinte, uma candidatura, tanto a deputado estadual, quanto a deputado federal.
Entretanto, no segundo turno, o deputado Márcio Pauliki se manteve neutro, ou “independente”, como gosta de parecer, repetindo postura anterior, de 2012, quando, não tendo ido para o segundo turno, não apoiou nem o deputado estadual Marcelo Rangel, nem o deputado estadual Péricles de Holleben Mello.
Enquanto Pauliki ficou em casa, Júlio Kuller resolveu apoiar o deputado Aliel Machado, da Rede, para continuar tendo palanque para atacar o prefeito Marcelo Rangel, transformado em adversário predileto. À essa altura, já se formava a confusão quanto ao futuro político de Kuller. Terminada a campanha, com a vitória da reeleição de Marcelo, a expectativa natural seria de Kuller integrar o grupo de Pauliki. Mas, eis que de repente Júlio se mantém ao lado de Aliel, se filia à Rede e vira assessor do próprio deputado federal.
Para encerrar, agora, Júlio Kuller acaba de assinar a ficha de filiação ao MDB, com o discurso de se candidatar à Assembleia Legislativa. Considerando que o deputado Aliel Machado vai deixar a Rede, que não tem estrutura eleitoral para sustentar sua candidatura à reeleição, tudo indica que a ida de Kuller merece ser vista como um cincerro a anunciar a ida de Aliel Machado também ao MDB, por convite do sobrinho do senador Roberto Requião, o deputado João Arruda e do próprio Requião.
São mudanças de posições, que ninguém entende, porque ninguém explica. De prático, ficam a incoerência e a inconsistência de procedimento.

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