O discurso de enfrentamento de Lula, já condenado, é um crime de incitação

A expectativa que havia de baderna, em Porto Alegre, na quarta-feira, não se confirmou. É que, de outro lado, foi organizado um grande e vistoso aparato policial, preparado para um eventual confronto. Entretanto, o confronto que era aguardado na quarta-feira parece estar sendo anunciado agora, pelo condenado de quarta-feira e pelo comando do partido do condenado, num perigoso e grave desafio
ao Poder Judiciário, ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal, instituições caras a República e a Democracia.
Pelo quadro que se está desenhando, a partir das manifestações do ex-presidente Lula e de dirigentes do PT, em que afirmam não reconhecer o veredito do julgamento de quarta-feira, do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, parece existir o PT, enquanto organização criminosa, representado por líderes conhecidos do partido, uns presos e outros réus, denunciados e investigados, e o PT, enquanto nação, feito e constituído do exército da militância, manipulado pelas pregações ideológicas do comando da organização criminosa.
Ganha força, desde logo, a arrogância criminosa do réu, condenado na quarta-feira, e do perigo que representa, enquanto em liberdade, pela incitação ao confronto, dando asas aos discursos dos radicais da baderna, abrigados na organização criminosa.
A possibilidade próxima do cumprimento da pena, decretada pelo TRF-4, está se prestando ao aviso da resistência, da disposição ao combate, da determinação ao confronto, de modo a sugerir que o réu condenado a cumprir pena com privação da liberdade seja poupado e que a decisão, por unanimidade, dos três desembargadores não se faça cumprir, na sua integralidade. Quando muito, que a pena imposta de doze anos e mais um mês de prisão em regime fechado fique no papel, em nome de uma prevenção de um mal maior, na ameaça de consequências que possam produzir o que disse a presidente do PT, enquanto organização criminosa, senadora da República Gleisi Hoffmann, de que, se forem prender o líder maior e símbolo dessa organização criminosa terão de “matar gente”. A convocação da nação petista pode significar a materialização das falas irresponsáveis, ameaçadoras e criminosas.
Os Poderes da República, em especial no caso, o Poder Judiciário, não podem se vergar diante de ameaças que desconsideram o Império da Lei e a ordem democrática do Brasil. Por se tratar de um ex-presidente da República, a pena decretada na quarta-feira, em Porto Alegre, precisa, sim, com a urgência devida e que se mostra necessária, ser cumprida. E cumprida exemplarmente, pelas elevadas funções exercidas pelo réu, que traiu a confiança do povo e desmereceu a dignidade do cargo que ocupou.
Até ministro do Supremo Tribunal Federal já andou se manifestando, em desacordo com uma ordem de prisão, pelo risco de “incendiar o país”. O ministro perdeu uma oportunidade de ter ficado quieto, até pelo dever que tem de cumprir e fazer cumprir a Constituição da República, que está sendo desconsiderada e ultrajada por integrantes da organização criminosa na convocação da nação militante, conduzida pelos profissionais da desordem.
O risco maior, pois, não se deu na quarta-feira, mas até sendo anunciado agora, sem a menor falta de cerimônia. Está em jogo, pois, o Império da Lei na República do Brasil.

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