Temer e Aécio precisam renunciar, pois, não há muito o que discutir

A notícia do jornalista Lauro Jardim, no site do jornal O Globo, no início da noite desta quarta-feira, colocou o Brasil na sua mais aguda crise política. Se estávamos começando a ver os primeiros sinais da superação da maior crise econômica, de repente, vemos o presidente da República sendo gravado em malfeitorias em meio ao gigantismo da Operação Lava Jato. E, para não ficar sozinho, eis que o senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB e ex-candidato a presidente da República, também aparece em gravação, pedindo dois milhões de reais para pagar advogado para defendê-lo na Operação Lava Jato. O Congresso Nacional não é lugar de ingênuo, ou inocente; muito menos a Presidência da República. Mas, diante dos fatos revelados na noite de ontem, de repente ingenuidade possa merecer uma leitura com outra denominação. É que não se concebe, na Lava Jato, que ouviu o depoimento do ex-presidente Lula na semana passada, haver figura de expressão nacional negociando propina, praticando corrupção. Nas duas situações, a leitura que merece ser feita da palavra ingenuidade é burrice mesmo. Com o agravante do absoluto descompromisso com o interesse público nacional. O que não pode ser admitido na figura de um senador da República. E não é um senador qualquer, de um Estado do Norte do País, sem prestígio. É um senador de Minas Gerais, que governou seu Estado, que presidiu a Câmara dos Deputados e que foi candidato a presidente da República. Se burrice não se concebe num senador da República, como imaginar que possa ser encontrada no proceder de um presidente da República?
Enquanto Dilma e o PT estavam no comando do Brasil, tínhamos a crise econômica e a crise política. Com a derrubada de Dilma e do PT, herdamos a crise econômica e superamos a crise política, com um governo que, diante da História, tinha tudo para ser reconhecido lá na frente, pelo fato de estar promovendo as reformas reclamadas pela sociedade nacional. Só que, de repente, sem que ninguém pudesse imaginar, explode uma acusação de um flagrante de comportamento nada republicano do presidente da República, concordando com o pagamento do silêncio a dois réus presos da Operação Lava Jato e indicando um deputado, seu antigo auxiliar, para negociar interesses de uma grande empresa, dentro do governo. E esse deputado, indicado pelo presidente da República, ser filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil. E, aí, volta a entrar em atividade o vulcão da crise política, com um impressionante grau de potencialidade. E, por um instante, Lula, PT e Dilma viram figuras menores, quase trombadinhas. É que não se conhece, de nenhum deles, o registro cinematográfico de um flagrante, onde não cabe a surrada declaração de que o delator é um inventor de mentiras para abrandar a pena do crime que cometeu. Esses delatores de Temer e de Aécio são profissionais dos bons. Muito melhor do que todos os que já se apresentaram, limitados aos respectivos depoimentos. Os irmãos da JBS se apresentaram em tom professoral, mostrando que, até no mundo do crime, é preciso haver competência.
O Brasil não pode, nem merece viver essa nova crise. Temer, em nome de um resquício qualquer de dignidade pessoal, precisa renunciar a Presidência da República, abrindo caminho para que o País siga em frente. E ato semelhante precisa também ser praticado pelo senador Aécio Neves, que não pode nas próximas 24 horas continuar sendo presidente do PSDB.
Bendita Operação Lava Jato que veio, pelo que se vê, para limpar o Brasil. Para livrar o Brasil de governantes desonestos, corruptos, ladrões. E de burros também.

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