A declaração de Renato Duque sobre a orientação de Lula é bem didática

O ex-ministro José Dirceu, ora em novo período de liberdade, nunca deixou suas impressões digitais em todas as tramoias de que participou na série de assaltos ao dinheiro público, pretendendo, com isso, ser mais inteligente que os outros e, assim, poder ludibriar até a Justiça. Não deu certo, pois, no julgamento do Mensalão, os ministros do STF fizeram valer a Teoria do Fato como elemento probatório da denúncia, tendo em vista a continuidade delitiva do acusado, eis que ele era figura constante em reuniões onde o patrimônio público era subtraído. Foi preso, foi solto, foi preso de novo e, agora, está solto de novo, mas com encontro marcado para sua volta a cadeia, tão logo o Tribunal Regional Federal da 4ª Região, em Porto Alegre, examine a sentença do juiz Sérgio Moro de sua condenação.
O ex-presidente Lula não tem nada em seu nome, além do apartamento aonde mora. O famoso Sítio de Atibaia, onde costumava passar finais de semana com amigos, era, segundo ele, utilizado como empréstimo, por não lhe pertencer. A despeito de não ser sua propriedade, empresários contam ter feitos reformas no local para atender desejos seus e com orientação de sua falecida esposa. Segundo o ex-presidente, tudo mentira. Na vigaristagem da Bancoop, presidida por João Vacari Neto, Lula teria adquirido um triplex, que, na sequência, teria pedido devolução de prestações pagas. Como Vacari Neto quebrou a Bancoop a construção do prédio passou para as mãos da OAS, que nunca colocou à venda o triplex, porque o imóvel, segundo o empresário Léo Pinheiro, estava reservado a Lula. Tanto, assim, que o próprio Léo Pinheiro, presidente da OAS, contou que foi feita uma reforma no apartamento, seguindo precisas instruções da mulher de Lula. De novo, segundo Lula, tudo mentira, invenção, tentativa dos delatores de reduzir suas penas. Todo mundo mente, menos ele.
Agora, Renato Duque, ex-diretor da Petrobrás e que resistiu, por mais de dois anos, em falar à Justiça, resolveu contar parte do que sabe, convencido de que sua situação na cadeia não teria mais solução, mantido o silêncio por solidariedade, enquanto Lula continua em liberdade e Palocci anuncia o desejo de falar o que sabe, em troca de redução de pena. Com condenações que somam mais de 50 anos de prisão, Renato Duque achou que sua solidariedade aos comparsas do crime não fazia mais sentido. E, pensando em si próprio, pediu para prestar um novo depoimento. Na verdade, o primeiro depoimento, porquanto, nas vezes anteriores, se manteve calado diante do juiz Sérgio Moro.
De tudo o que falou, e falou de questões sérias, graves, merece destaque a parte em que ele revela ter recebido a orientação de Lula para que não colocasse nada em seu nome, relativamente aos crimes cometidos por conta da roubalheira do dinheiro público. Roubalheira, como disse Duque, que Lula tinha conhecimento e que comandava. E é bom registrar que Renato Duque operava para o PT, na Petrobrás, com cobertura de José Dirceu. E, pelo que disse, de Lula também, eis que se não tivesse intimidade com o ex-presidente e não fosse seu comparsa no mundo do crime não teria se reunido por três vezes com ele.
Ao orientar Renato Duque para não colocar nada em seu nome do produto do roubo, Lula parece confessar a sua maneira de operar os crimes de que é acusado, ou seja, fez tudo o que fez, mas não colocou nada em seu nome. Sítio de Atibaia, triplex e o que mais possa existir em nome de laranjas, por esse mundo de Deus.
Ah, “inovando” em suas reações, Lula e sua tropa de choque já gritaram, dizendo que tudo é mentira, que Duque está inventando tudo isso para reduzir seus mais de 50 anos de cadeia.
Depois de José Dirceu, Lula é a figura mais reluzente à luz do sol da Teoria do Fato, fazendo por merecer dar início ao seu período de mais de 100 anos de cadeia.

Comente