Vereador de Ponta Grossa parece não saber nada da Operação Lava Jato

A maior reforma política de que necessita o Brasil precisa se dar na base da sociedade, que se revela indignada com os desmandos escandalosos havidos no plano federal, de modo muito especial, nos dois governos do PT, que pisaram fundo no processo de corrupção existente no Brasil. No Congresso Nacional, está em discussão um projeto legal da reforma política, mesmo com deputados e senadores envolvidos, até o pescoço, na Operação Lava Jato. Mas, seja como for, foram todos eles eleitos pelo povo e a Constituição os assegura o direito de legislar. Entretanto, o dado mais relevante dessa reforma não pertence aos deputados e senadores, mas, sim, a sociedade brasileira, eis que a corrupção se entronizou na própria sociedade, ao longo do tempo. Tem sido ela que envia para Brasília deputados e senadores corruptos. Ou a sociedade muda, ou a corrupção haverá de sobreviver, com vantagem, à Operação Lava Jato. A soltura do ex-ministro José Dirceu é um ameaçador indicativo disso.
Mas, como esperar uma mudança significativa quando um jovem advogado, candidato a vereador, se vale, de acordo com a denúncia do Ministério Público Estadual, de um bem público, que é o arquivo da Agência do Trabalhador, para fazer sua campanha eleitoral? Se a mudança de proceder não se verificar na campanha de um candidato a vereador, de nada estará valendo a Operação Lava Jato no propósito de imprimir ações moralizadoras no trato da coisa pública.
A cassação do mandato do vereador Rudolf Eric Christensen, o Rudolf Polaco, pelo juiz Fábio Leite, atendendo denúncia oferecida pelo Ministério Público Estadual, é amplamente didática para uma reflexão da sociedade. E uma reflexão que, de pronto, remete para o proceder correto do Ministério Público Estadual, que se mostra sintonizado com o espírito da ação moralizadora do Ministério Público Federal, estendendo-se para a decisão firme do juiz Fábio Leite, que indica igual sintonia com as decisões do juiz federal Sérgio Moro. Ora, se um candidato a vereador se apossa de um bem público em benefício pessoal para sua eleição, o que pode esperar a sociedade quanto ao sonho de mudanças de procedimento de nossos homens públicos?  Pela denúncia do Ministério Público Estadual, o candidato a vereador Rudolf Polaco, que virou o vereador Rudolf Polaco, parece não ter tomado conhecimento, rigorosamente de nada, do que está acontecendo no Brasil, com a Operação Lava Jato, pois não entendeu, pelo demonstrado, que ele não se constitui na figura mais recomendável para exercer um mandato de representação popular. Se um candidato a vereador procede de tal forma, nos precisos termos da denúncia do Ministério Público Estadual, em pleno e desafiador momento da Operação Lava Jato, sobra pouco, muito pouco mesmo, para que a sociedade possa continuar alimentando esperança de um novo e moralizador quadro de sua representação, aqui na Câmara Municipal, na Assembleia Legislativa do Estado, na Câmara Federal e no Senado da República.
De outro lado, a sociedade pontagrossense deve aplaudir a ação do Ministério Público Estadual e a decisão do juiz Fábio Leite, pela constatação da sintonia na cruzada pela moralização na vida pública no Brasil, entre membros do Ministério Público estadual e federal e integrantes do Poder Judiciário, estadual e federal.
É esse caminho que haverá de sustentar o direito do povo pontagrossense e brasileiro por um novo e moralizado quadro da representação popular.

Comente