É preciso ocupar os vazios especulativos da área urbana

Na terça-feira, final de fevereiro, o prefeito Marcelo Rangel recebeu a visita de dois jovens empresários de Curitiba, levados pelas mãos do ex-vereador Delmar Pimentel, para o anúncio da construção do maior núcleo habitacional de Ponta Grossa, com duas mil e duzentas unidades residenciais, numa antiga área agrícola, atrás do Instituto João XXIII, na Vila DER, com investimentos anunciados na ordem de R$ 200 milhões. Indiscutivelmente, um grande projeto com um volume respeitável de investimento, especialmente, em tempos de dificuldades.
O prefeito que mais onerou a população de Ponta Grossa, em seus seis anos de mandato, foi Luiz Carlos Zuk, por ter construído, até então, o maior número de núcleo residenciais, em pontos distantes da área urbana, como o Bôrtolo Borsato, o Santa Maria, o Cristo Rei. Núcleos distantes, que praticamente confinaram as respectivas comunidades, por um bom tempo até que acontecessem as obras de integração, como o asfalto, em especial. Como esses núcleos foram construídos em áreas distantes do centro da cidade, foram criados grandes vazios entre cada núcleo e a área central da cidade, fazendo com que muita gente ganhasse dinheiro, pela valorização de seus imóveis, sem que tivesse que aplicar um único real de centavo.
Pois bem, agora, será construído o maior núcleo da cidade com duas mil e duzentas unidades habitacionais, numa área igualmente distante do centro da cidade. Para esse núcleo, terão de ser levados todos os equipamentos urbanos, como escola, posto de saúde, posto policial, rede de água, luz, esgoto, eletricidade, linha de ônibus, asfalto. Isso tudo tem um custo elevado, mas oculto aos olhos do cidadão comum.
Seria desejável, por exemplo, que essas duas mil e duzentas novas unidades residenciais fossem construídas, por exemplo, nos vazios urbanos, onde já existem asfalto, linhas de ônibus, enfim, todos os equipamentos urbanos, barateando, em muito, o investimento a ser feito pelo Poder Público. Cem casas numa área, onde só existe mato, mais cinquenta em outra área, duzentas numa terceira e, assim, por diante. Mas, para tanto, seria necessário que o Poder Público fizesse uma intervenção.
É claro que, para o investidor, fica mais barato construir, num único terreno, essas duas mil e duzentas novas unidades residenciais. Para a sociedade, fica o drama de mais uma comunidade importante distante do conjunto da sociedade urbana.
E, claro, novas áreas serão valorizadas, seus proprietários beneficiados, sem que tenham necessidade de promover qualquer investimento. Tudo, para esses proprietários, acontecerá de graça, como aconteceu para dezenas de proprietários, ao tempo do prefeito Luiz Carlos Zuk, na década de setenta. Muita gente ganhou dinheiro em cima de um caro investimento do Poder Público, que foi inconsequente e irresponsável.
É a história se repetindo quase quarenta anos depois.
 

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