“Amicus Plato, sed magis amica veritas”. É o que Yunes fez com Michel Temer

O advogado, ex-deputado e ex-secretário da Presidência da República, José Yunes, foi a Brasília, nesta quinta-feira, para dizer ao presidente Michel Temer: “Você é meu amigo, mas a verdade é a minha melhor amiga”.
Na Grécia Antiga, Platão era o grande filósofo e matemático do País, criador, inclusive, da primeira Academia. Tão importante e tão respeitado, que surgiu até um ditado a seu respeito – Amicus Plato, sed magis amica veritas -, com a tradução do Latim para o Português – Platão é meu amigo, mas a verdade é minha melhor amiga. Ou seja, acima de Platão, apenas a verdade.
Nas idas e vindas do episódio que envolve o presidente Michel Temer que teria feito um pedido de R$ 10 milhões de reais a Marcelo Odebrecht, num jantar do Palácio Jaburu, ao tempo ainda de vice, para ajudar na campanha eleitoral de 2014, eis que surge um fato novo. Presente a esse jantar, o ex-executivo da Odebrecht Cláudio Melo Filho relatou, em delação premiada, que houve esse pagamento de R$ 10 milhões, dos quais R$ 4 milhões foram entregues ao hoje ministro da Casa Civil, Elizeu Padilha, por meio do escritório do advogado José Yunes. Ao tempo dessa revelação, em dezembro, Yunes pediu demissão do cargo que ocupava no gabinete do presidente Michel Temer, que, de seu lado, negou tal versão, como negado foi também esse fato pelo ministro Elizeu Padilha.
Agora, ainda que Michel Temer seja seu amigo, mas preferindo ter a verdade como sua melhor amiga, o advogado José Yunes tomou a iniciativa de procurar o Ministério Público Federal para confirmar, em detalhes, ter sido intermediário do dinheiro da Odebrecht para Elizeu Padilha, reconhecendo que, ao ter atendido a um pedido de Padilha, para que fosse deixado em seu escritório um pacote, fez o papel de “mula”, utilizando o mesmo termo, do mundo das drogas, que contrata pessoas simples para transportar droga. A confirmação de Yunes ao relato do empresário Cláudio Melo Filho estragou o Carnaval de Temer e precipitou um pedido de licença do ministro Elizeu Padilha, que, em Porto Alegre, deve se submeter a uma intervenção cirúrgica.
Diante da perspectiva da liberação do conteúdo das delações premiadas dos 77 ex-diretores da Odebrecht, a tal “delação do fim do mundo”, não é fora de propósito atribuir-se a tal revelação o pedido de exoneração do senador José Serra, do Ministério das Relações Exteriores, e a esse pedido de licença do ministro Elizeu Padilha, dentro, inclusive, do formato anunciado pelo próprio Temer de como procederá com ministros seus que tenham seus nomes divulgados em denúncia de envolvimento com a Operação Lava Jato. Diante da denúncia, como se sabe, Temer disse que afastará o ministro que tenha o nome citado, e que, se de denunciado virar réu, será, então, demitido.
É evidente que a opção de José Yunes pela “amizade com a verdade” levou um desconforto ao presidente Temer, pelo comprometimento em sua primeira declaração, de não ter havido entrega de dinheiro, em espécie. Mas, de seu lado, Yunes preferiu se preservar do vendaval que se anuncia, confirmando a parte que lhe cabe nessa situação delicada, ainda que continue afirmando “Temer é meu amigo”, para, logo em seguida, fazer a ressalva “mas a verdade é a minha melhor amiga”.
Que Elizeu Padilha e Michel Temer se entendam.
 

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