O PT precisa assumir a corrupção. E Lula precisa dizer que sabia de tudo

A “Veja”, desta semana, traz, em suas páginas amarelas, uma entrevista com o senador e ex-ministro da Saúde de Lula, Humberto Costa, de Pernambuco. Pertencente ao grupo mais moderado do PT e defensor de que o partido reconheça os erros que cometeu, inclusive a corrupção, o senador prega a necessidade de uma superação do passado, inclusive, o fim do discurso do “golpe” e a elaboração de um projeto que proponha soluções para a crise econômica do País. “A população não quer isso que está aí, mas também não queria o que estava lá com Dilma”, diz ele, para acrescentar que é preciso que “O PT tem de fazer uma profunda autocrítica, refazer-se e apresentar um novo projeto.”.
Indagado se houve corrupção nos governos do PT, responde que “Houve. Houve pessoas que podem ter se beneficiado pessoalmente? Claro.”, reconheceu.
Entretanto, o senador pernambucano diz que isso tudo precisa ser reconhecido e dito pelo ex-presidente Lula, com um pedido de perdão a sociedade. E espera que, no congresso de junho do partido, as ideias que defende sejam aprovadas, em contraposição ao discurso do grupo mais radical, comandado pelos senadores Lindbergh Farias e Gleisi Hoffmann.
É claro que é muito pouco o que o senador Humberto Costa está pregando, mas é o limite do que pode falar.  Não basta, mesmo Lula, simples e puramente, reconhecer que o PT roubou, que muitos dos principais líderes petistas roubarem e, aí, pedir perdão ao povo brasileiro e anunciar que será candidato, de novo, a Presidência da República, em 2018, e seguir em frente, como se nada mais tivesse acontecido.
Mais que tudo isso o que propõe o senador por Pernambuco, é preciso que o próprio Lula faça uma confissão pública e reconheça que sabia de tudo o que se deu no mensalão, da mesma forma, como sempre soube de tudo o que se deu na Petrobrás. Claro que uma declaração dessa natureza significaria mais que uma delação, seria o próprio anúncio de sua apresentação para ser recolhido à prisão na República de Curitiba. Mas, de outro lado, restaria, ao menos, um fiapo de dignidade, que haveria de lhe beneficiar perante a História.
Os números das pesquisas que andam sendo divulgados se mostram favoráveis a Lula, e isso anima petistas, como Lindbergh Farias e Gleisi Hoffmann, que querem que o ex-presidente se lance logo candidato a presidente da República, de modo a prevenir e, quem sabe, reduzir o desastre eleitoral previsto para o ano que vem. Inclusive, deles próprios, eis que ambos concluem seus mandatos em 2018.
Entretanto, como se fossem marinheiros de primeira viagem, imaginam que Lula, candidato à Presidência da República, terá uma campanha tranquila, com espaço para se dedicar à apresentação de propostas e a evidenciar os feitos positivos dos governos petistas. Uma campanha de candidato a papa.
Lula, candidato, vai ter de explicar, a cada aparição na TV, toda a fantástica roubalheira do PT em seus governos, incluindo o notável enriquecimento seu e de seus filhos, mentes prodigiosas de empresários sobrenaturais.
É bom os petistas se entregarem a essa antevisão da campanha eleitoral.
E que Lula terá pela frente um Jair Bolsonaro, a lhe acusar e questionar na televisão. Mas, muito antes de tudo isso, Lula deverá ter uma conversa com o juiz Sérgio Moro… Assim, é bom os petistas não se animaram muito, antes do tempo.

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