Na Federal, prenderam 29; aqui, na UEPG, a denúncia não andou

Entre 2003 e 2004, houve uma denúncia de prática de corrupção na Universidade Estadual de Ponta Grossa. Foi um corre-corre, porque ninguém nunca imaginou que, dentro da UEPG, pudesse haver algum tipo de corrupção. O assunto chegou a Assembleia Legislativa e o então deputado Bradock pediu a formação de uma CPI para investigar o caso.
Agora, a Polícia Federal desvendou um crime de desvio de dinheiro do programa de bolsa de estudos para docentes, na Universidade Federal do Paraná, que bate na casa dos R$ 7 milhões. A PF prendeu 29 pessoas, mas
a roubalheira tinha a coordenação de duas funcionárias da UFPR, Funcionárias com mais de 20 anos de casa e de absoluta confiança da direção da instituição.
Diante desse fato de agora, lembrei do episódio da UEPG, que, praticamente, resultou em nada, eis que, apenas, três servidores foram condenados,  por envolvimento direto no desvio de dinheiro do caixa da universidade. Entretanto, o número de pessoas que apareceu na denúncia que produziu a CPI era muito maior. O caso não foi para a frente, porque não mereceu, na época, a atenção devida do Ministério Público Estadual, a despeito de todo o empenho e esforço do delegado Marcus Vinícius Sebastião que cuidou do caso.
Outros eram os tempos, é verdade, mas o dever de seriedade com o dinheiro público era o mesmo, como era o mesmo dever, por exemplo, de uma apuração severa por parte do Ministério Público Estadual, o que não aconteceu.
É preciso reconhecer, também, que a CPI da Assembleia Legislativa, que acabou sendo estendida para todas as universidades estaduais, não foi além do conteúdo da denúncia levada por um funcionário da UEPG, não tendo, sequer, aprofundado, rigorosamente, mais nada, como, por exemplo, uma investigação mais rigorosa sobre tudo o que acontecia na Fazenda Escola da universidade. A Fazenda Escola era uma festa só, comandada por servidores da instituição, que tiveram seus nomes citados na CPI.
Mas, independentemente, de ter avançado ou não, a denúncia serviu para que a UEPG aprimorasse seus instrumentos de fiscalização. Hoje, por exemplo, a Fazenda Escola se constitui em fonte importante da receita da UEPG, o que não havia naquele tempo, na proporção de hoje.
A CPI foi muito incompetente, porque superficial, e o Ministério Público Estadual se mostrou desinteressado, o que fez com que o caso tivesse o endereço do arquivo. Nada mais aconteceu e nunca mais se falou no assunto. Exatamente, por isso, diante do exemplar procedimento da Polícia Federal, em relação ao caso da UFPR, entendi que era o caso de se lembrar daquele episódio, que envolveu a Universidade Estadual de Ponta Grossa.
Vale registrar, com louvor, o trabalho do delegado Marcus Vinicius Sebastião, que acabou ficando pela metade. Não por vontade dele, eis que estava com material na mão para avançar, e muito. Fica o registro.

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