O brasileiro, que é perseverante, começa a dar sinais de estar perdendo a esperança

No domingo, dia 13 deste mês, foi pequeno o comparecimento de gente nas manifestações havidas, comparadas com as que se deram nas edições anteriores. E o governo, causa de tudo isso, comemorou, imaginando que a fraca presença do povo nas ruas é um recuo no apoio ao processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff e, de certa forma, uma reavaliação da sociedade na rejeição ao seu governo. Tudo errado, porque a fraca presença do povo nas ruas é uma triste demonstração do cansaço do povo em confiar, em esperar, em alimentar a expectativa de que as autoridades responsáveis da República possam tomar decisões que indiquem a superação tanto da crise política, quanto da crise econômica e, em especial, da crise moral. Mas, como a crise moral parece ser um dado comum no Planalto Central, o povo está inseguro do que fazer para promover um ato consequente que leve ao chamamento de atenção das autoridades responsáveis que não tenham se contaminado com a proliferação da crise moral e possam, numa espécie de grito de guerra, erguer suas vozes em defesa do Brasil e de sua gente. E isso não quer dizer que as inseguras e pouco convincentes vozes da oposição possam preencher esse vazio. É que a oposição também perdeu credibilidade. Não conseguiu, nesses anos todos, produzir um único líder, capaz de agasalhar o reavivamento da esperança do brasileiro. Mesmo nas fileiras governistas, que são coniventes com a geração e o agravamento de todas essas crises, poderia se insurgir um deles, pelo reconhecimento do excesso de incompetência, de desonestidade, de perda de credibilidade desse governo desastrado e desastroso de Dilma Rousseff. Mas, se os governistas são cordatos, ao ridículo do extremo, por conivência ou por envolvimento também, a oposição é inconsequente e despreparada, sem um porta-voz de um rumo seguro e de um projeto exequível. É o retrato do vazio político de valores nacionais. Trinta anos depois do fim do regime militar, não tivemos nenhuma revelação de liderança afirmativa. Também não tivemos – e continuamos a não ter – qualquer indicativo de formação dessa figura desejada e necessária do regime democrático. A política estudantil, que foi aniquilada no regime militar, até hoje não foi restabelecida no regime democrático. Restabelecida na importância de seu reconhecimento, na formação e orientação de seus líderes, no apoio às suas reivindicações justas. Não a essa baderna que se verifica em São Paulo, pela infiltração de agentes da anarquia e da esculhambação, diante de um projeto razoável de encaminhamento para melhor qualidade do ensino. Onde está a representação estudantil nos conselhos universitários? Nos conselhos de classes, do segundo grau? Onde está o envolvimento do próprio estudante, na vida comunitária? Abandonaram o terreno fértil da geração de líderes. E mesmo os líderes, lá forjados, sequer, se ocupam em restabelecer as condições que tiveram para o exercício da política, no seio estudantil. Álvaro Dias, Aloysio Nunes Ferreira, José Serra e outros tantos, por que não cuidam disso? Por coincidência – e sem intenção – os três senadores e os três do PSDB. Nem é o caso de citar o ex-ministro José Dirceu, por ter sido o exemplo da liderança estudantil negativa, o estudante profissional, que não queria deixar a escola para ficar fazendo a política da greve, da anarquia, da contestação, pela contestação. E o resultado está aí, porque, mais do que ninguém, José Dirceu é um exemplar do velho e acertado ditado “quem semeia vento, colhe tempestade”.
O povo está descrente de tudo e de todos. Depois da última decisão da maioria dos ministros do STF, o povo olha para todos os lados e não enxerga ninguém para se apresentar em sua defesa. Não é compreensível que, a despeito de tudo e de todos, não exista alguém capaz de representar a  voz da razão, da autoridade, do sentimento de dor e desesperança do povo.
O orgulho do passado se reflete na vergonha do presente. Mas, apesar de toda essa preocupante realidade, a rua é ainda o único caminho que resta ao povo. É na rua que o seu grito precisa acontecer, com vigor e determinação.

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