Se a política está desqualificada, é porque os partidos não se qualificam

Que o PMDB tenha apresentado, em 2008, a candidatura do vendedor ambulante David Scheiffer para vereador, que criou o bordão “Vamos ajudar o David?”, ainda passa, porque era um candidato a mais no processo corriqueiro de preencher espaço de candidato, na expectativa de ajudar o partido na eleição de mais um vereador. Acontece, porém, que David, que era para ser mais um candidato, acabou se notabilizando, justamente, pela sincera e ridícula pretensão de querer se eleger para resolver os seus problemas, já que pouco, ou quase nada, tinha a oferecer para trabalhar, em favor dos interesses maiores da população. Ficou no folclore daquela eleição.
Entretanto, na eleição seguinte, em 2012, o PDT atraiu o mesmo David Scheiffer para ser candidato a vereador, pela sua legenda. Aqui, o partido prestou um desserviço à sociedade, na expectativa menor de ter um campeão de votos, pouco importando a qualidade do candidato que estava a oferecer à sociedade. Felizmente, o folclórico David não se elegeu. Mais, rompeu com o partido, porque, na voz corrente da Rua XV, promessas que lhe foram feitas acabaram não sendo cumpridas. E, hoje, David Scheiffer estaria nas fileiras do PPS, partido do prefeito Marcelo Rangel e do deputado federal Sandro Alex, seguramente, para ser levado, novamente, a televisão, para repetir o já desavergonhado apelo do “Vamos ajudar o David?”, que não tem mais graça alguma.
Vale pinçar esse caso, por ser concreto e verdadeiro, para evidenciar o procedimento dos dirigentes partidários e dos líderes políticos que a cidade tem. Nada contra a figura, em si, do cidadão David Scheiffer, mas, diante de seu evidente despreparo para servir a causa pública, um partido político, com maior responsabilidade, seguramente, não se empenharia em querer se valer de um candidato, sem predicado para a função pública, apenas no interesse pequeno de poder somar mais algumas centenas de votos, como fez o PDT e como parece que irá fazer o PPS.
É, por isso, que se deseja um candidato a prefeito, que se apresente preparado e que infunda confiança e respeito, tendo um vice que recomende as virtudes do candidato a prefeito, o que equivale a dizer que tenha predicados semelhantes, fazendo com que seu partido se empenhe na formação de uma chapa qualificada de candidatos à Câmara Municipal. Um partido, dirigido por pessoas consequentes, que olhem o Poder Legislativo Municipal com respeito e responsabilidade, buscando pessoas que possam dignificar o voto do eleitor, no exercício de um futuro mandato.
Entretanto, vale indagar se algum dirigente partidário, algum líder político tem convidado um professor universitário, um empresário, um profissional liberal, um líder sindical para ser candidato a vereador. O líder sindical é possível, porque, em sendo líder, já é uma promessa eleitoral. Mas, ainda assim, um líder sindical possui visão de responsabilidade pública, capacidade de compromisso público, consciência do que venha a ser o exercício de uma função pública. Não se propõe, aqui, uma elitização cultural para ter a chancela de uma candidatura a vereador, mas, sim, uma elitização de formação de consciência cívica, de capacidade de compromisso com o real interesse público. Defende-se a busca de nomes qualificados, com diploma superior ou não, para o credenciamento junto ao eleitor. O saudoso Marcos Tozetto era um homem simples, do povo, sem diploma, mas foi, por três ou quatro legislaturas, um ativo e prestativo vereador. Cuidava de seu povo, de sua gente, com exemplar dedicação. Tinha timbrado na fonte e no coração a marca da vocação para ser um homem público.
Dois exemplos para uma única reflexão. Com a recomendação de se prestar mais atenção na segunda citação. Por ter sido mais útil a sociedade.

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