Vem aí um grande pacote de asfalto na cidade inteira

A promessa, pelo que se tem observado, é de um arrojado programa de pavimentação asfáltica, já a partir deste final de ano e ao longo do próximo ano, por parte do governo municipal. É que há um esforço concentrado em busca de contratação de empréstimos financeiros, junto aos órgãos estaduais e mesmo federais, para pavimentação de ruas.
Já falei aqui, mas não custa repetir, que familiares do hoje deputado federal Sandro Alex atribuem sua derrota, em 2008, na reeleição do prefeito Pedro Wosgrau Filho, à promessa do governador Roberto Requião, em visita à cidade, de garantir a proposta de Wosgrau em pavimentar duas mil quadras na cidade. “O Estado garante”, pronunciou Requião diante de câmeras de televisão, num flagrante crime eleitoral, pelo escancaramento do uso da máquina pública na campanha eleitoral. E, passado isso na televisão, o efeito se fez forte, contribuindo, seguramente, para a vitória apertada de Wosgrau sobre Sandro, pela diferença de oito mil votos, pequena num universo de pouco mais de duzentos mil eleitores.
Por conta disso, na campanha eleitoral de 2012, o candidato Marcelo Rangel ousou em superar uma proposta de seu antigo amigo e aliado, mas, na campanha, concorrente Márcio Pauliki que era de três mil quadras, para quatro mil e quinhentas quadras, ou seja, alguma coisa próxima de quatrocentos e cinquenta quilômetros, um pouco mais de uma viagem de ida e volta a Paranaguá.
Nesses três anos, é provável que tenham sido feitos os cinquenta quilômetros dos prometidos quatrocentos e cinquenta. Mas, diante da proximidade eleitoral, há uma vistosa concentração de esforços para a deflagração de uma grande frente de obras de pavimentação asfáltica, que chame a atenção de boa parte da cidade. Talvez, não chegue nos quatrocentos, mas quem mediu os duzentos de Wosgrau?
Com isso, parece ganhar força a ideia de que, para ganhar a eleição, nem precisa fazer um grande governo, basta fazer um grande programa de asfalto. No tempo do regime militar, especialmente no governo de Garrastazu Médici, o seu ministro dos Transportes, Mário Andreazza, costumava dizer que “governar é abrir estradas”. A Transamazônica está lá, até hoje, a desafiar o ufanismo de Andreazza, sobre a qualidade do proclamado “governar”.
Assim, de repente, passamos a ter essa nova versão, de que “governar, é fazer asfalto”. Claro, que o asfalto é importante, principalmente, numa cidade como Ponta Grossa, onde o desafio da pavimentação continua grande, a despeito de um vistoso conjunto de áreas vazias no coração do perímetro urbano, que se prestam a especulação imobiliária. Mas, asfalto dá voto, sim; só vamos medir a sua quantidade, no projeto da reeleição do prefeito Marcelo Rangel. Se deu certo com Wosgrau, os mesmos familiares de Sandro imaginam que possa dar certo com o irmão, agora, candidato à reeleição.

Comente