O PMDB, se tiver juízo, se reorganiza na figura do ex-prefeito Otto Cunha

O PMDB local está passando por um processo de reacomodação, com a nomeação, no sábado, de uma comissão provisória, constituída pelos cinco últimos dirigentes, para, em noventa dias, promover uma nova convenção para a eleição de um diretório municipal, já no embalo da preparação da campanha eleitoral. Na verdade, o partido sofreu uma intervenção “diplomática”, digamos assim, provocada pelos descontentes de sempre, que existem em qualquer agrupamento humano. Para colocar a casa em ordem, a direção estadual resolveu recompor o processo de legalização do partido, por meio de uma comissão provisória, formada, como se disse, pelos últimos cinco dirigentes, começando pelo empresário Carlos de Mário, que presidia o diretório, e, assim, na ordem cronológica, por Fábio Artero, Jurandir Ribeiro, Herculano Lisboa e Rogério de Paula Quadros.
Em fevereiro, essa comissão provisória deve promover, então, uma convenção para a eleição de um diretório municipal. E, se esse grupo tiver juízo, pode aproveitar o momento para, antes de tudo, formar uma chapa única, já na busca de um fortalecimento para o processo eleitoral. E dar o nome dessa chapa única de “Prefeito Otto Cunha”, como homenagem a quem se elegeu prefeito da cidade, em 1982, pelo partido, e que, agora, se mostra disposto a ser candidato, novamente. Seria, também, uma forma de promover uma espécie de pré-lançamento do nome de Otto para a sucessão municipal. Com a companhia do empresário e ex-vereador Edilson Fogaça, para candidato a vice-prefeito. Se Otto tem um passado que o recomenda, tanto na política da cidade, quanto no próprio partido, Edilson tem a seu favor a figura da renovação, uma bem sucedida experiência como vereador e a sua condição de respeitado profissional do ramo da contabilidade e auditagem. É uma boa oportunidade para ser aproveitada, desde que administrados interesses subalternos, como os que levaram à intervenção no final de semana, que, a rigor, não teria razão de ser.
O PMDB, que acabou virando um partido sem ideologia, por ter se formado a partir de uma verdadeira federação de ideologias, ao tempo do regime militar, é um grande partido, mas que tem deixado de cumprir o seu grande papel no contexto da política da cidade, pelo conforto da acomodação. Com grande vocação por cargos em governos, de qualquer uma das hierarquias da estrutura democrática de poder, o partido, em Ponta Grossa, precisa saber utilizar esse momento para, de certa forma, se recompor, se refundar, se reorganizar, com os olhos postos na sucessão municipal do próximo ano. Com a grande vantagem de estar com um acatado nome à sua disposição, que é o do ex-prefeito Otto Cunha.
O PMDB, com todo o seu exército de filiados, tem, hoje, apenas um vereador, o médico Pascoal Adura, que conquistou o mandato muito mais pelo seu prestígio pessoal, do que apoio ou ajuda do partido. Não tem deputado estadual, nem deputado federal. Também, ao longo dos últimos dezesseis, vinte anos, sequer, tem tido capacidade de organizar chapa própria de candidatos a vereador, limitando-se a indicação de nomes de candidatos a vice-prefeito.
O partido precisa respirar ares novos, precisa ter a coragem de mudar, para avançar, na sempre salutar mistura dos mais experientes com os mais jovens, sem, contudo, a arrogância dos mais experientes em cima dos jovens que chegam. A experiência precisa estar a serviço do apoio e da orientação aos jovens, de modo que estes sejam incentivados a apoiar candidatos e a se lançar candidatos. No caso específico, o PMDB tem uma bandeira política, na figura do ex-prefeito Otto Cunha. Que, se houver espaço, pode recompor a unidade do partido.

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