As alianças municipais não podem contrariar as alianças nacionais

Temos nos reportado ao acordo entre os deputados estaduais Péricles de Holleben Mello, do PT, e Márcio Pauliki, do PDT, e o deputado federal Aliel Machado, da Rede, para dizer que o acordo do ano passado, segundo o qual, apenas um dos três sairia candidato a prefeito, com o apoio dos outros dois, não tem fundamento para se sustentar, no ano que vem, especialmente, a partir do instante em que Aliel trocou o PCdoB pela Rede, da ex-senadora Marina Silva. Ora, o PT e o PDT integram a base de sustentação do governo da presidente Dilma Rousseff, enquanto a Rede, de Marina Silva, é uma oposição, ao seu estilo, até por ser um partido formado a partir de uma dissidência no PT. Assim sendo, não há como reunir aliados e adversários numa mesma chapa.
O deputado federal Aliel Machado fez uma opção por uma caminhada solo, ao se decidir pelo partido de Marina Silva, que, embora sendo de esquerda, combate o PT. Isto é, é uma vertente de esquerda que nada tem a ver com o PT. E o deputado Péricles, que havia lançado Aliel a prefeito, enquanto Aliel estava no PCdoB, que sempre foi e continua sendo aliado do PT, agora estaria à procura de uma nova composição partidária para participar das eleições municipais do ano que vem, pelo fato de não mais oferecer seu apoio à eventual candidatura de Aliel Machado à sucessão municipal. E, neste caso, não foi o deputado Péricles quem rompeu com Aliel; foi o deputado Aliel quem rompeu com o deputado Péricles, do PT, e mesmo com o deputado Márcio Pauliki, do PDT.
Temos afirmado, mais de uma vez, que tanto o deputado federal Aliel Machado, quanto o deputado estadual Márcio Pauliki serão candidatos a prefeito, por exigência e mesmo imposição de seus respectivos partidos. Do lado de Aliel, é claro que Marina Silva vai precisar de espaço nas principais cidades brasileiras para se manter viva na mídia, com vistas às eleições de 2018, quando, pela terceira vez, estará se colocando como candidata a presidente da República. E, em Ponta Grossa, quem vai ter de sustentar esse palanque eletrônico é, justamente, o deputado federal Aliel Machado, distante de seu padrinho, irmão, camarada deputado Péricles de Holleben Mello. E, da mesma forma, de um amigo e companheiro mais recente, Márcio Pauliki.
E Márcio, por sua vez, precisará, igualmente, sustentar um palanque eletrônico ao ex-senador Osmar Dias, que vai disputar as eleições de 2018, seja para o governo do Estado, seja para o Senado da República. Marina e Osmar não têm nada a ver com o que Aliel e Márcio andaram combinando, por aqui, porque quem dita as normas comportamentais dos partidos não são as direções municipais, mas, sim, as estaduais e nacionais.
Voltando ao deputado Péricles de Holleben Mello, é possível que ele até já tenha um candidato, no lugar de Aliel, que pode ser seu colega de Assembleia Márcio Pauliki, porque PT e PDT caminham juntos em Brasília. Por sinal, o ex-senador Osmar Dias, que comanda o PDT no Paraná, ocupa uma das vices-presidências do Banco do Brasil. Do Banco do Brasil do governo do PT de Dilma Rousseff. Candidato a prefeito, numa eventual e nada surpreendente aliança com o PT, Márcio vai ter de assumir a defesa do PT e do governo de Dilma.
Por ora, parece pouco provável que o PMDB embarque nessa canoa do PDT com o PT, porque Requião, também, quer se valer de um palanque no ano que vem, com os olhos postos nas eleições de 2018, quando tanto poderá se candidatar à reeleição para o Senado, quanto se defrontar, novamente, com Osmar Dias, numa disputa pelo governo do Estado. É, por isso, que o PMDB da cidade vem trabalhando a ideia de uma chapa puro sangue, com o ex-prefeito Otto Cunha, como candidato a prefeito, tendo o empresário e ex-vereador Edilson Fogaça, como candidato a vice-prefeito.
Candidato a prefeito, o deputado federal Aliel Machado poderá enfrentar sérias dificuldades para qualquer composição. Com muita possibilidade de se ver sozinho no temporal da campanha eleitoral.

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