Em Ponta Grossa, um caso parecido com o advogado de Cunha, não se criou

O advogado Antonio Fernando Barros e Silva de Souza (Antonio Fernando de Souza), que defende hoje o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, depois de ter, exemplarmente, denunciado comparsas de Cunha no que se imaginava que seria o maior escândalo de corrupção do Brasil, o mensalão, se mantém comedido e reservado na defesa ao deputado Eduardo Cunha, não dando entrevista e não aparecendo em público. Deve ter suas razões, para tanto, diante do conflito entre a grande e qualificada denúncia que fez e a defesa, com cara de constrangimento, que faz de um cliente, que desfigura a dignidade do Poder Legislativo no Brasil.
Mas, essa situação que se verifica, a partir de Brasília, merece ser trazida, a nível de comparação para Ponta Grossa, ainda que as circunstâncias possam ser um pouco diferentes, embora iguais em fundamento de princípios, de bandeiras, de convicções.
O Conselho Municipal de Segurança de Ponta Grossa, com o empresário e produtor rural Douglas Taques Fonseca em seu comando, travou uma grande batalha com a Polícia Civil, combatendo e denunciando desmandos na instituição. Tão vigorosa era a atuação do Conselho de Segurança, que um delegado ficou, apenas, trinta dias aqui na cidade, pedindo sua transferência.
E, no meio dessa cruzada, o Conselho de Segurança apontou para o combate ao tráfico de drogas, exigindo que as autoridades policiais se colocassem à frente dos criminosos dessa anomalia da sociedade brasileira e mundial. O Conselho de Segurança era aliado da Polícia Militar e crítico contundente da Polícia Civil.
Vencido o tempo de permanência de Douglas, em dois mandatos, à frente do Conselho Comunitário de Segurança, o escolhido para sucedê-lo foi um advogado, que integrava o grupo de trabalho na diretoria de Douglas. Afinado à filosofia de trabalho do Conselho, seus pares confiaram-lhe o comando do colegiado.
Acontece que, trinta ou quarenta dias após sua posse, assumiu a defesa de um traficante de droga. Os membros do Conselho de Segurança não titubearam em manifestar ao recém-empossado presidente seu descontentamento, retirando-o do cargo de presidente e de membro do colegiado. Foi um caso exemplar de coerência e fidelidade aos princípios que norteavam a razão de existir esse importante braço auxiliar da comunidade, na defesa dos direitos do cidadão sobre a Segurança Pública.
É claro que não seria o caso, hoje, de o Ministério Público Federal fazer coisa parecida com Antonio Fernando de Souza, até pelo fato de ele estar aposentado e, por conseguinte, não integrar mais as fileiras dessa trincheira do Estado Brasileiro, na defesa do cidadão e do próprio Estado Brasileiro.

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