Como pode, o advogado de Cunha ter sido o denunciante do mensalão!

O advogado Antônio Fernando de Souza é o grande artífice de um novo tempo do Ministério Público no Brasil, que levou o Poder Judiciário a também inaugurar um novo tempo, com o restabelecimento de parte da esperança do povo brasileiro em ver os tidos e havidos como poderosos serem punidos, diante da prática abusiva do exercício do poder, seja do poder institucional, seja do poder que o dinheiro confere. Pois, na condição de procurador-geral da República, o advogado Antônio Fernando de Souza encaminhou, corajosa e competentemente, denúncia ao Supremo Tribunal Federal daquilo que ficou conhecido como o “escândalo do mensalão”, que se supunha ser o maior escândalo de roubalheira do dinheiro público da História do Brasil. E, nessa denúncia, o destemido chefe do Ministério Público Federal relacionou a cúpula diretiva do PT, incluindo a maior figura emblemática do partido, depois de Lula, o então chefe da Casa Civil da Presidência da República, deputado federal José Dirceu. E o Supremo Tribunal Federal julgou aquele que seria o mais longo processo de sua história, culminando com a condenação de personalidades que jamais a sociedade brasileira imaginou que poderia acontecer. Mesmo com incríveis resistências dentro do próprio Supremo, a Justiça se fez prevalecer. É verdade que a denúncia partiu do então deputado federal Roberto Jefferson, a partir de um aparente caso de banalidade de corrupção, com o flagrante em um diretor dos Correios recebendo três mil reais de propina. Tornada pública a denúncia, o Ministério Público Federal cumpriu um revolucionário papel que o consagrou como instituição definitiva de Estado, e não mais um mero braço auxiliar de governo. E tudo sob o comando do advogado Antônio Fernando de Souza. Com o vencimento de seu mandato, como procurador-geral, em seu lugar assumiu o advogado Roberto Gurgel que, firme, deu continuidade ao que, ingenuamente, continuávamos acreditando ser o maior escândalo de corrupção da História do Brasil, urdido no primeiro governo de Lula e do PT. E o desfecho, como já registrado, é conhecido.
Eis que, agora, diante de uma nova e vigorosa denúncia de um escândalo muito maior, ainda sob a égide do PT, pegando o segundo governo de Lula e alcançando os dois governos de Dilma Rousseff, que ganhou a denominação de “petrolão”, com prejuízo bilionário à Petrobrás, eis que reaparece em cena o antes brilhante e corajoso defensor da sociedade brasileira, na outra ponta do processo, como defensor, não mais da sociedade, mas de uma vistosa figura envolvida nessas escabrosas denúncias de roubalheira do dinheiro público, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha. Sim, o advogado Antônio Fernando de Souza é o defensor de Eduardo Cunha, ou um de seus principais advogados.

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