É preciso prestar atenção no recadastramento eleitoral

Na segunda metade da década de noventa, com o advento do instituto da reeleição, em municípios a partir de 200 mil eleitores, houve um despertar de lideranças da cidade para que Ponta Grossa se incorporasse ao pequeno núcleo de municípios paranaenses com direito a um segundo turno, na eleição municipal, caso nenhum candidato fizesse, no primeiro turno, cinquenta por cento mais um dos votos válidos. E, aí, a cidade toda se mobilizou, porque foi mobilizada. E foi mobilizada, especialmente, pela Associação Comercial e Industrial, comandada pelo ativo, dinâmico e saudoso empresário Renato Nápoli. Pela mobilização da Associação Comercial, todos saíram às ruas em busca de eleitores, transferindo títulos de quem, morando aqui já há alguns anos, não havia transferido seu título, até que nosso colégio eleitoral bateu na casa dos 200 mil. E, aí, no ano de 2000, tivemos a primeira eleição em dois turnos, entre o prefeito Jocelito Canto, que disputava a reeleição, e o deputado Péricles de Holleben Mello, que concorria pela segunda vez ao governo da cidade. Ganhou Péricles. Porém, o dado importante é que tivemos o segundo turno, porque ultrapassamos a casa dos 200 mil eleitores.
Agora, estamos em pleno recadastramento eleitoral, que está se processando de maneira natural, sem que se verifique um acompanhamento mais de perto das direções partidárias, por exemplo, dos deputados da cidade, dos vereadores, do governo municipal. Sim, claro, e da Associação Comercial e Industrial, que parece estar dizendo “isso, não é comigo”.
O risco, vale repetir, é de o recadastramento não alcançar os duzentos mil eleitores, e aí ficarmos sem o direito a um segundo turno, já nas eleições do ano que vem. É um risco real que a cidade está a correr. Mas, nem por isso, assiste-se um movimento de suas lideranças políticas, em torno, por exemplo, de viabilizar, para a Justiça Eleitoral, condições para um esforço concentrado, em finais de semana, em pontos estratégicos da cidade, a fim de se apressar o recadastramento, mas, principalmente, de se garantir que nosso colégio eleitoral se mantenha além dos 200 mil cidadãos inscritos para votar. Quem gosta tanto de voto, deveria estar cuidando para fazer com que a cidade continue tendo mais de duzentos mil votos. A iniciativa cabe a quem surgir na frente. De vereador a deputado, passando pelo prefeito da cidade. E pelas direções partidárias, que podem, sim, mobilizar seus filiados para oferecer essa importante contribuição.

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