Alianças partidárias municipais precisam estar conectadas com alianças nacionais

Novato em política, tem muito a aprender. Ainda que estejamos sob a égide de um anarquizado sistema multipartidário, existe, ao menos nos partidos de maior expressão, um razoável proceder de coerência, que procura preservar um pouco de seu posicionamento nacional. Por exemplo, não faz o menor sentido imaginar uma aliança partidária, aqui, para o processo eleitoral do ano que vem, entre o DEM, do deputado Plauto Miró Guimarães, e o PDT, do deputado Márcio Pauliki. O DEM, além de ser um partido de direita, é oposição ao governo federal e situação junto ao governo estadual. Já, o PDT, um partido de esquerda, é situação no governo federal e oposição ao governo estadual. Coisa parecida se aplica, numa mesma concepção imaginária, o DEM fazendo aliança com a Rede Sustentabilidade, do deputado federal Aliel Machado. A Rede é um partido de esquerda, surgido a partir de desalinhamentos havidos no PT. Não guarda a menor semelhança com a ideologia do DEM.
E o que vale para o DEM, nos casos mencionados, vale para o PSDB, embora o partido tucano tenha uma vertente ligada ao socialismo. Pelo menos, na sua denominação.
É que o nosso calendário eleitoral, com eleições de dois em dois anos, recomenda que as lideranças partidárias procurem uma postura, minimamente, coerente, de modo a não confundir, de vez, o eleitor. A oportunidade recomenda citar, aqui, dois exemplos clássicos do que aconteceu nas eleições de 2010 para o governo do Estado e Câmara Federal, especificamente, por não ser o caso de se relacionar a extensão do pleito para a Assembleia Legislativa, Senado e Presidência da República.
Dois deputados federais do DEM, Abelardo Lupion e Luiz Carlos Setim, ao contrário de acompanharem o DEM no apoio à candidatura de Beto Richa ao governo do Estado, resolveram apoiar a candidatura do então senador Osmar Dias, do PDT, em aliança com o PT. Lupion imaginou herdar os votos de Osmar para se candidatar ao Senado, quatro anos depois. E Setim acompanhou Lupion, por uma razão qualquer. O resultado foi que Lupion se reelegeu na última colocação e Setim ficou como primeiro suplente. O s eleitores dos dois não gostaram do que eles fizeram. Com isso, Lupion arquivou, de vez, o projeto de uma candidatura ao Senado, não disputou uma nova reeleição em 2014, contentando-se, hoje, com a presidência da Cohapar, no governo de Beto Richa. E Setim conseguiu se eleger, de novo, prefeito de São José dos Pinhais.
O deputado Márcio Pauliki não guarda, absolutamente, nada de uma ideologia de esquerda. Mas, quando se decidiu em participar do processo político, ao contrário de buscar espaço num partido que se ajustasse com o seu perfil de empresário e de homem de centro, foi atrás do PDT. E foi atrás do PDT não por ideologia, mas porque o PDT estava à deriva na cidade, sem um comando definido e atuante. E como queria ser “dono” de partido, fez com que o PDT se parecesse com um departamento do MercadoMóveis. E, aí, filiado, está tendo de navegar ao sabor das ondas da esquerda, numa proximidade com o PT, o que o distancia do empresariado da cidade, que não aceita esse tipo de aliança. É que o presidente estadual do PDT, o ex-senador Osmar Dias, ocupa uma vice-presidência do Banco do Brasil. E Márcio virou vice-presidente de Osmar, no PDT do Paraná.
Ainda que Márcio tenha ligações pessoais com o deputado federal Aliel Machado, por terem feito campanha juntos, Aliel, hoje, não está mais no PCdoB, que apoia o governo de Dilma Rousseff. Aliel se transferiu para a Rede Sustentabilidade, da ex-senadora Marina Silva, que é oposição ao governo de Dilma Rousseff. Logo, Marina não vai consentir que seu partido, numa cidade importante como Ponta Grossa, faça uma aliança com um partido da base do governo federal, no caso, o PDT. Nem Osmar, haveria de se sentir confortável, participando de uma campanha, aqui na cidade, junto com um partido de oposição a Dilma.
É, por isso, que vale apostar nas candidaturas individuais do deputado Márcio Pauliki, do PDT, sem aliança com a Rede, e do deputado Aliel Machado, da Rede, sem aliança com o PDT. E sem aliança também com o PT, do seu amigo deputado Péricles de Holleben Mello, porque o PT haverá de apoiar a candidatura de Márcio, que é do PDT, que faz parte da base de sustentação do governo de Dilma.
Como se vê, não sobra muito espaço para se imaginar coisas mirabolantes, distantes da realidade política.

Comente