Dos nomes falados, vale começar por Marcelo Rangel, candidato à reeleição

Antes de mais nada, é bom lembrar que o eleitor pontagrossense não gosta de reeleger, nem de conferir um segundo mandato a quem já governou a cidade, fora do processo da reeleição. Sem o instituto da reeleição, criado na década de noventa, Ponta Grossa só havia conferido um segundo mandato a um único ex-prefeito, Juca Hoffmann, isso no início da década de sessenta, 1962. De um modo geral, todos os que governaram a cidade tentaram um segundo mandato, sem sucesso. Apenas Juca conseguiu tal façanha, que acabou tendo um final complicado, porquanto foi chantageado pelo regime militar, ou renunciava, ou seria cassado, por uma razão qualquer a ser inventada. Renunciou, tristemente.
Levou 44 anos para que o pontagrossense se decidisse por confiar um segundo mandato a um novo ex-prefeito, o que aconteceu em 2004, com Pedro Wosgrau Filho, que conquistou, inclusive, um singular e histórico terceiro mandato. Pedro, assim, conseguiu igualar e, ao mesmo tempo, superar Juca Hoffmann. Afora os dois, não temos registro de mais ninguém.
Sob a égide do instituto da reeleição, que, no plano municipal, vai acontecer, pela última vez, no ano que vem, não conseguiram reeditar seus mandatos Jocelito Canto, em 2000, derrotado por Péricles de Holleben Mello, e o próprio Péricles, em 2004, derrotado por Pedro Wosgrau. Pedro se reelegeu em 2008, derrotando o hoje deputado federal Sandro Alex, numa dura e competitiva eleição.
Será nesse contexto, que o prefeito Marcelo Rangel vai disputar a sua reeleição, no ano que vem. E ele está em franca campanha, porquanto não tem se descuidado em arregimentar partidos para compor uma nova e vistosa aliança de apoio. É cedo, ainda, para uma avaliação mais conclusiva, a partir, inclusive, da possibilidade da candidatura própria do DEM, na figura do empresário Álvaro Scheffer. Assim, uma avaliação de hoje teria que comportar dois cenários, o primeiro, sem ter seu ex-secretário de Indústria e Comércio como concorrente, o que lhe garantiria probabilidades maiores, e o segundo cenário com Álvaro candidato, o que restringirá, visivelmente, as chances de uma vitória. Como o DEM parece já ter se decidido pela candidatura, é melhor considerar o segundo cenário.
Marcelo Rangel, no exercício do cargo, se revelou um administrador público despreparado, estando comandando um governo de fracas realizações, com um débito vistoso e considerável em relação às promessas feitas na campanha de 2012. Venceu as eleições, pelo prestígio de radialista. E, no cargo, se comporta muito mais como radialista, do que propriamente, como administrador, governante, dirigente.
Aos olhos da opinião pública, que é o segmento pensante da comunidade, muito dificilmente reuniria condições para um novo mandato. Mas, como não é a opinião pública, via de regra, que elege, é bom não desprezar o lado do radialista do prefeito, pois, se no gabinete é pouco produtivo, ele tem sabido se utilizar de seu lado forte, visitando os bairros e mantendo um corpo a corpo com a população.
A sua grande obra, que já está acontecendo, se dará num vistoso programa de pavimentação asfáltica, daqui até o ano que vem, ano da eleição.
Em termos de comparação com os demais governos, poder-se-á dizer tratar-se de um governo fraco, ruim para a cidade, sem direção.
Mas, ainda assim, o prefeito é candidato à reeleição.
 

Comente