O governo tem maltratado as entidades assistenciais

Ponta Grossa tem um conjunto de entidades assistenciais da maior relevância, quer pela seriedade dessas corporações da solidariedade humana, quer pela eficiência com que desempenham suas atribuições.A maioria delas remonta a década de oitenta, quando a Assistência Social ganhou a condição de Política Pública, pela Constituição de 88, advindo, de lá, toda uma legislação avançada, que colocou o carente, o necessitado, como cidadão com direito a esse atendimento, que virou obrigação do Estado. Nesse contexto, pela própria incapacidade do Poder Público, nossas entidades trabalham conveniadas com o Poder Público Municipal. E é, aí, que começa um sério problema.
Não parece ser o caso de falarmos do passado, ou seja, do governo que atendeu com regularidade as entidades e do governo que deixou de cumprir com esse dever de responsabilidade. Importa falarmos do presente, das relações difíceis que estão sendo com o governo do prefeito Marcelo Rangel, cujo discurso de campanha em nada encontra correspondência na ação efetiva e prática do governo.
Por esses convênios, o governo municipal compra serviços dessas entidades, tanto na área da Educação, com os Centros de Educação Infantil, quanto na área da Saúde, como os asilos e as comunidades terapêuticas, quanto na Assistência Social, propriamente dita, com as entidades que cuidam da promoção humana de seus assistidos, de um modo geral.
Pois, bem, o governo do prefeito Marcelo Rangel atrasou o repasse mensal desses convênios em seu primeiro ano de governo. Atrasou, no segundo ano de governo. E está atrasando, agora, em seu terceiro ano de governo. Sempre no segundo semestre, porque, no primeiro semestre, há um conjunto maior de receitas para o Município, como IPTU e IPVA.
No mês passado, um grupo dessas entidades, sem mais alternativa, chegou a realizar o primeiro protesto público, exibindo faixas de que as entidades estariam de luto, por conta das dificuldades vividas pela falta de pagamento, por parte do governo municipal. E esse protesto aconteceu, porque o atraso foi de sessenta dias para a maioria das entidades e de noventa dias para um número menor. Atrasos de sessenta e noventa dias!
Como a maior parte do dinheiro é para pagamento de pessoal, vale imaginar a situação dessas entidades, perante seus funcionários, seus colaboradores. Mas, diante do protesto, o dinheiro apareceu, como que por encanto. Porém, o governo pagou julho e agosto para as entidades com noventa dias de atraso e agosto para aquelas com sessenta dias. Estamos caminhando para o final de outubro, e o mês de setembro não foi pago. E não há indicativo de quando será pago.
A palavra do governo não tem valor, como não tem valor a palavra do prefeito, eis que, quando da ocorrências dos primeiros atrasos, o prefeito assegurou que não haveria repetição do feito e, que se ocorresse, ele próprio se anteciparia em comunicar as entidades.
A única coisa que continuou existindo é o atraso nos pagamentos.

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