Por que a sociedade, por conta própria, não dá início a uma reforma política?

A sociedade tem se revelado pródiga na discussão de temas sociais, econômicos, culturais, por meio de segmentos apropriados. A discussão política deveria caber aos partidos políticos, porquanto o instituto do partido político é o instrumento a legitimar a democracia, por ser o canal que liga o povo ao poder. Entretanto, os dirigentes dessa valiosa célula da nossa democracia têm se mostrado de pouca grandeza pela responsabilidade assumida. Ao contrário de priorizarem, na discussão, o que mais possa interessar ao conjunto da sociedade, priorizam interesses pessoais e grupais, o que tem contribuído para o caos moral de nossa realidade política, de alto a baixo. Infelizmente, a corrupção está incrustada no seio da própria sociedade. Aliás, muito acertadamente, o juiz Sérgio Moro disse, há poucos dias, em palestra em São Paulo, que a sociedade não deve esperar que a Operação “Lava Jato” restabeleça a moralidade na administração pública. Sim, não devemos esperar que somente a Operação Lava Jato promova o resgate da moralidade na administração pública. Porém, reconhecendo ser a Operação Lava Jato a mais sensacional cruzada do Poder Judiciário contra um dos braços do crime organizado no Brasil, vale apostar no despertar da sociedade para fazer a sua parte, no dia-a-dia do cidadão comum. E, aí, temos pela frente o pleito eleitoral do ano que vem.
Pois, bem, sem a pretensão do perfeccionismo, nem a ingenuidade do inocente, parece oportuna a colocação de uma provocação a que um grupo de pessoas, de repente, três, cinco, sete, se disponha à uma discussão política, com vistas às eleições municipais do ano que vem. E, aí, encorajar-se por uma ousadia, como a reunir um grupo de pessoas, num partido político, para compor, até se for o caso, uma chapa completa, com candidatos a prefeito, vice-prefeito e a vereadores, rigorosamente, dentro da legislação, sem o propósito da busca do poder pelo poder, fugindo dos métodos convencionais. E, aí, a chapa majoritária fazer a apresentação do projeto de governo, enquanto a chapa proporcional afinaria o discurso do compromisso com a austeridade, tanto no Legislativo, quanto no Executivo. Um basta rigoroso ao empreguismo no Poder Público. Ninguém vai gastar além do mínimo indispensável, como a propaganda de rua e a produção dos programas de rádio e televisão. Ninguém vai comprar padre, pastor, presidente de associação de moradores, líder comunitário. Mas, todos, desse partido, vão se empenhar na propagação de suas ideias, seus compromissos e o projeto de governo.
Longe de ser uma utopia, parece mais um desafio, um gesto de solidariedade ao arrojo e civismo do juiz Sérgio Moro, porque o resgate da moralidade pública só vai se dar no dia em que a própria sociedade se decidir por se engajar nesse projeto. Enquanto o juiz está combatendo os efeitos, a sociedade poderia dar início a um movimento para cobater as causas. É aquela história do passarinho diante de um grande incêndio. Ou do que está acontecendo, no Paraná, a partir de Santo Antonio da Platina, em que a reação popular fez com que os vereadores reduzissem o número de cadeiras no Legislativo e os respectivos subsidos, a partir da próxima legislatura. Para uma caminhada de mil passos, é preciso que se dê o primeiro passo.
Por que não um clube de serviços liderar esse movimento? Em outros tempos, poder-se-ia provocar a Associação Comercial e Industrial. Enfim, fica a provocação aos inconformados com a realidade atual, aos protestantes da realidade política, aos sonhadores com uma nova (e possível) realidade.
E se perder a eleição? Perder-se-á, apenas, a eleição. Ninguém, desse grupo, perderá a dignidade pessoal, além do conforto individual de ter feito uma pregação, em favor do bem comum. Que ninguém apagará.

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