Plauto não será candidato a prefeito. Mas, avisa que tem nomes para a vaga

 
O deputado Plauto Miró Guimarães Filho, que ficou com a imagem chamuscada no episódio do camburão dos deputados da base de apoio ao governador Beto Richa, no confronto com servidores públicos para permitir que Beto avançasse no dinheiro da Paraná Previdência, já mandou avisar que não alimenta projeto de uma candidatura sua a prefeito, mas que tem gente no seu grupo para ocupar a vaga que lhe pertenceria.
É interessante esse posicionamento de Plauto, que, de certa forma, repete a iniciativa de seu colega de Parlamento o deputado Péricles de Holleben Mello que lançou o jovem deputado federal Aliel Machado para disputar a sucessão do prefeito Marcelo Rangel, no ano que vem. Péricles, de acordo com pessoas próximas, não deseja mais disputar a Prefeitura Municipal. Assim, fez a indicação de seu mais reluzente afilhado, que, pela votação feita no ano passado, tem um cacife considerável para o pleito municipal do ano que vem. De princípio, Aliel, que pertence ao PCdoB, teria o apoio do PT de Péricles e do PDT do deputado Márcio Pauliki. Entretanto, Márcio tem se preservado sobre o assunto, evitando falar até mesmo de uma eventual candidatura sua.
O fato de Plauto sinalizar seu amigo e assessor João Ney Marçal Filho para disputar o governo municipal é um indicativo claro de uma afirmação política, no sentido da manutenção da carreira, ou seja, arquivou o projeto de ser prefeito, mas mantém vivo o projeto de se manter na política, disputando, se for o caso, uma nova e histórica reeleição em 2018. Até lá, porém, a expectativa é de que o governador Beto Richa e o presidente da Assembleia,  deputado Ademar Traiano, lhe retribuam a clarividente e histórica lealdade, com uma indicação sua para o Tribunal de Contas do Estado. Mas, até que isso aconteça, quer deixar encaminhada sua sucessão, contribuindo, desse modo, para a dinamização do processo político da cidade. E o nome de João Ney Marçal Filho é merecedor de análise, especialmente, pelo desempenho que teve à frente da Secretaria Municipal do Planejamento, do governo do prefeito Marcelo Rangel. João Ney, ao lado de Flávio Kaiber, na Secretaria da Administração, e de Álvaro Scheffer, na Secretaria da Indústria e Comércio, formava o tripé de sustentação do governo. Um vistoso e respeitado tripé. Aí, Flávio foi o primeiro a enfraquecer o governo. Um tempo depois, foi a vez de Álvaro deixar o cargo, seguido, alguns meses após, por João Ney Marçal Filho. Com isso, o governo ficou desfigurado, por ter perdido a identidade que os três principais secretários davam à administração, além de se mostrar, hoje, sem rumo, um barco à deriva.
É bom lembrar que o empresário Álvaro Scheffer pertence ao partido de Plauto, o DEM, tanto quanto João Ney, naturalmente. E a indicação do nome de João Ney só vem confirmar a decisão de Álvaro em não participar do processo de disputa eleitoral, mesmo tendo prestígio reconhecido para enfrentar tal desafio. É possível, inclusive, que, viabilizada a candidatura de João Ney, Álvaro ser apresente para apoiá-lo. E não seria nada mal se os dois compusessem uma dobradinha.
E, avançando esse lançamento de Plauto, quem mais tem a perder é o prefeito Marcelo Rangel, em seu intento de reeleição, porquanto o deputado Plauto Miró Guimarães é detentor de um considerável prestígio eleitoral. E que, somado ao que possa representar a qualificada candidatura de João Ney, muito dificilmente Marcelo terá peça de reposição. Isso tudo pode ser ruim para Marcelo, mas haverá de ser muito bom para cidade.

Comente