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É bom não bater-boca com a Sanepar, que precisa ser auditada

Em 1974, o governador Emílio Gomes e o presidente da Sanepar, Mário Brandalise, mentiram para Ponta Grossa. Acreditando no que dizia o governador e o falante presidente da Sanepar, a Câmara Municipal aprovou um projeto dando concessão, por 30 anos, à Sanepar, para explorar os serviços de fornecimento de água e coleta e tratamento de esgoto. Em cima da aprovação da Câmara, o Município assinou um contrato de concessão à Sanepar. Nesse contrato, constava que, ao final dos 30 anos, a cidade teria cem por cento de abastecimento de água e 80 por cento da população estaria sendo servida pelo serviço de coleta e tratamento de esgoto. Mais, constava lá que o patrimônio do antigo SAS-PG – Serviço de Água e Saneamento de Ponta Grossa – passaria a Sanepar, mas seria avaliado, de modo que o montante dessa avaliação fosse descontado, ao longo do tempo, da contrapartida do Município, nos investimentos da Sanepar.

Esse é o resumo da história do primeiro contrato, que a Sanepar não cumpriu. É, por isso, que é bom não bater-boca com a Sanepar. A Sanepar merece ser tratada de uma outra forma, pelas autoridades municipais.

E tudo deveria começar, nessa discussão de agora de um novo contrato, pela contratação de uma auditoria independente, que levantasse o primeiro contrato dos 30 anos, mostrando o que a Sanepar havia se comprometido em fazer e o que, de fato, foi realizado. A Sanepar precisa ser auditada. A Sanepar é ré daquele contrato, não cumprido. E o Município foi omisso – e tem sido omisso – na fiscalização, no acompanhamento e na cobrança das obrigações da Sanepar para com a nossa população.

Essa história do usucapião fica desmontada diante do que foi escrito e assinado no primeiro contrato. Aliás, foi assinado um contrato no dia 15 de setembro de 1974, pelo prefeito Luiz Gonzaga Pinto, pelo governador Emílio Gomes e pelo presidente da Sanepar, Mário Brandalise, durante a Sessão Solene de aniversário de Ponta Grossa, marcando o início das atividades da Sanepar para o começo do novo ano que se avizinhava. Nos primeiros meses do ano seguinte, foi assinado um novo contrato, com alteração de algumas cláusulas, já, então, pelo prefeito Amadeu Puppi, pelo secretário do Interior do Estado, Noel Lobo Guimarães, e pelo presidente da Sanepar. Acontece que, na virada do ano de 74 para 75, houve mudança no governo do Estado, com a posse do governador Jayme Canet Júnior. O prefeito Luiz Gonzaga Pinto renunciou a Prefeitura para assumir a Secretaria de Estado de Indústria e Comércio.

A Sanepar não merece confiança, pelo seu histórico com a cidade. Por isso, não é o caso de um bate-boca com o presidente da empresa. É preciso haver um recomeço, em cima do relatório de uma auditoria independente. Sem isso, o Município continuará no prejuízo, com a Sanepar.

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