Há dois grupos prontos para a eleição. E uma larga avenida para uma terceira via

 

Tempo de eleição é tempo de confronto. E confronto, na área política, basicamente se dá entre situação e oposição. E aqui não será diferente, porquanto, desde logo, parece claro que teremos a candidatura, à reeleição, do prefeito Marcelo Rangel, que, mesmo comandando um desastre administrativo, não está morto, não. De outro lado, teremos uma candidatura do bloco de oposição, representado pelo PT, PCdoB e PDT e quem mais quiser se ajuntar nessa esquerda, cuja referência maior é o deputado Péricles de Holleben Mello, do PT.

De parte do bloco da situação, portanto, não há novidade a ser questionada, ainda que o único dado diferente venha a ser o nome do companheiro, ou companheira, de chapa de Marcelo Rangel, de vez que o médico Dr. Zeca deve mesmo voltar a disputar uma cadeira na Câmara Municipal, até porque o tamanho da medida política do atual vice-prefeito não vai além de um novo mandato de vereador.

Do lado da oposição, existem dois nomes, o do jovem deputado federal Aliel Machado, que tem o patrocínio já declarado do deputado Péricles de Holleben Mello, e do empresário-deputado Márcio Pauliki. De princípio, há evidências que fortalecem a presença de Aliel na disputa do ano que vem, porquanto o deputado Márcio Pauliki sempre assegurou que não gostaria de deixar, pela metade, seu primeiro mandato de representação popular, para não ser visto como um político carreirista. Sem essa preocupação, o jovem deputado federal Aliel Machado tem dito que, caso o deputado Márcio não se apresente, ele dirá “presente” para assumir a candidatura do grupo de oposição à sucessão do prefeito Marcelo Rangel.

É claro que o deputado Márcio Pauliki tem muito mais perfil de administrador do que o deputado Aliel Machado, cuja juventude ainda não lhe permitiu armazenar bagagem suficiente para um cargo executivo. Mais do que ser visto como um carreirista político, Márcio deve se preocupar com o fato de se apresentar, em público, como candidato com o apoio do PT e do PCdoB, tendo de falar bem da presidente Dilma Rousseff e de seu governo, além de exibir em seu palanque a presença, por exemplo, da senadora Gleisi Hoffmann. Talvez, esse seja o desafio maior a ser vencido pelo deputado do PDT, para se mostrar aos olhos de seus colegas empresários de Ponta Grossa e do eleitorado, de um modo geral.

Enquanto esses dois grupos tem presença assegurada na disputa eleitoral, parece importante se evidenciar a existência de uma larga avenida para uma terceira via, um terceiro nome, uma terceira candidatura, distante do governador Beto Richa e mais distante ainda da presidente Dilma Rousseff, da senadora Gleisi Hoffmann, do PT, PCdoB e até mesmo do PDT, do já falecido ex-governador Leonel Brizola.

Em 68, o engenheiro Cyro Martins representou essa terceira via, entre o candidato da situação, que foi Otto Cunha, e o candidato de oposição, que foi o ex-prefeito Eurico Batista Rosas. Cyro nasceu de um movimento de um grupo de lideranças da cidade, que desejava promover uma mudança nos rumos da política de Ponta Grossa. Desconhecido do grande público, Cyro venceu a eleição e promoveu a histórica revolução na economia do Município, por meio da implantação do processo de industrialização do Município. Com a grande vantagem adicional, de que, naquela época, a palavra corrupção, sequer, era pronunciada em Ponta Grossa.

Quem sabe, um novo grupo de lideranças se disponha a patrocinar uma nova candidatura da terceira via. A cidade haverá de agradecer.

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