Márcio, que era uma esperança, cometeu dois erros capitais

O jovem empresário Márcio Pauliki, pelo seu desempenho ao lado do pai, Jeroslau Pauliki, no Grupo MM, e na sua passagem pelo comando da Associação Comercial e Industrial de Ponta Grossa, passou a se constituir numa promissora esperança de renovação política. Em meio ao noticiário que colocava seu nome em tal perspectiva, eis que tomou a decisão de se filiar ao partido dos então “piás da rádio” – PPS -, Marcelo Rangel, já deputado estadual, e Sandro Alex, pré-candidato a prefeito. Márcio viveu, assim, sua primeira experiência política, no apoio à candidatura de Sandro a prefeito, que, por pouco, não derrotou o prefeito Pedro Wosgrau Filho, em sua candidatura à reeleição, em 2008. Márcio viria, ainda, apoiar a reeleição de Marcelo para a Assembleia Legislativa e a campanha de Sandro para a Câmara Federal. Nessa campanha de ambos e com o apoio de ambos, Márcio comandou um comitê dos dois irmãos-candidatos de apoio às candidaturas de Osmar Dias ao governo do Estado, do PDT, e de Gleisi Hoffmann, do PT, ao Senado da República. Era sua “avant première” no ingresso no grupo de esquerda da política paranaense. O passo seguinte foi se desligar do PPS e buscar um partido, onde o comando lhe pertencesse, de modo a ter a garantia de uma candidatura a prefeito, que, para todos os efeitos, contaria com o apoio dos irmãos-deputados, a quem havia apoiado, em suas duas últimas campanhas. Pensando pragmaticamente na candidatura, sem nenhum compromisso de visão ideológica, acabou se apossando do PDT, por ser o único partido que se prestava, no momento, ao seu projeto de tê-lo como uma espécie de departamento do grupo empresarial familiar. Não levou em conta de que mais importante que ser “dono” de partido é ser seu líder, é ser o elemento que mais aglutina, que mais tem voto. Rompendo com os irmãos-deputados, disputou a Prefeitura competindo com o deputado Marcelo Rangel, do PPS, e com o deputado Péricles de Holleben Mello, do PT. Acabou perdendo a eleição, muito mais por uma pesquisa desastrada, com todos os ingredientes de uma ação propositada, do Ibope, que o colocou, na noite anterior da eleição do primeiro turno, com dez pontos abaixo de seu antigo parceiro, o deputado Marcelo Rangel, o que fez com que a eleição no segundo turno fosse disputada por Marcelo e Péricles. De seu lado, Márcio deu a clássica declaração de político indeciso, dizendo que preferia deixar seus eleitores fazerem opção própria por um dos dois candidatos. Venceu, por margem muito pequena, o candidato do PPS. Mantendo-se, erroneamente no PDT, numa região que nunca aceitou o discurso virulento do fundador do partido, Leonel Brizola, Márcio, que tinha tudo para uma eleição tranqüila de deputado federal, preferiu disputar a Assembleia Legislativa. E, na sua campanha, apoiou a candidatura da senadora Gleisi Hoffmann ao governo do Estado e da presidente Dilma Rousseff, na sua reeleição à Presidência da República. Com isso, acabou por se abraçar, de vez, com o PT, avançando por um caminho de esquerda, que não condiz com sua própria formação. Para deputado federal, ofereceu seu apoio e incentivo ao então vereador e presidente da Câmara Municipal, o jovem Aliel Machado, do PCdoB, eleito para a Câmara Federal. Com essa sua postura pragmática, Márcio deixou de ser a opção de boa parte do eleitorado que o imaginava como a revelação política dos sonhos, incluído, aí, um contingente expressivo do empresariado, ficando a dúvida se, na esquerda, merece a confiança das figuras tradicionais, para uma disputa majoritária, no ano que vem. Se depender, por exemplo, do deputado Péricles de Holleben Mello, a liderança de maior referência da esquerda na cidade, o candidato a prefeito do grupo da esquerda será o jovem deputado federal Aliel Machado, do PCdoB, e não o seu colega de Assembleia Márcio Pauliki. Para encerrar, Márcio deveria ter feito uma outra opção partidária, mais ao centro, e estar hoje em Brasília, como deputado federal. Longe de Gleisi, Paulo Bernardo, Dilma e companhia. Num resumo, longe do PT.

2 comentários em “Márcio, que era uma esperança, cometeu dois erros capitais

  • junho 2, 2015 em 15:21
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    Como pode aliar-se ao que tem de pior na politica psranaense e brasileira…realmente era um promessa boa e enveredou por um caminho péssimo… Já era, não tem como esquecer isto…onde tem bandeira vermelha, já viu né! Sem noção !

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  • junho 5, 2015 em 00:42
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    E sobre o posicionamento do Pericles e do pauliki sobre a defesa aos servidores? Isso você não comenta?

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