Beto se credencia a ser o pior governador na história do Paraná

O governador Beto Richa foi muito além do que deveria, por conta de suas limitadas qualidades pessoais. Candidato a vereador em Curitiba, perdeu a eleição. Mas, logo em seguida, se elegeu deputado estadual, tendo sido um parlamentar mediano, mas bom articulador, pois conseguiu se eleger vice-prefeito da Capital, na chapa do prefeito Cássio Taniguchi. Na administração municipal, foi secretário de Obras, o que lhe assegurou a condição de candidato a prefeito, vitorioso. Mais pela imagem do que pelo conteúdo, teve uma reeleição espetacular, no primeiro turno, praticamente humilhando sua principal adversária, a hoje senadora Gleisi Hoffmann.

Foi um prefeito sem brilho administrativo, parecido com o desempenho do atual prefeito, Gustavo Fruet. Como todo o prefeito de Curitiba é um candidato natural ao governo do Estado, Beto se valeu da popularidade que exibia e se apresentou para comandar o Palácio Iguaçu, derrotando o ex-senador Osmar Dias.

Para o eleitor paranaense, não havia muito alternativa de voto, porquanto Osmar, cooptado por Lula, fez uma travessia esquisita para a esquerda, aliando-se ao PT, que lançou ao Senado Gleisi Hoffmann, que se elegeu. Osmar Dias sempre teve nos produtores rurais do Estado a sua mais expressiva base de sustentação política. Ao se enveredar para os braços de Lula e do PT, essa base não o acompanhou, preferindo apoiar a candidatura de Beto Richa, do PSDB, mais assimilável aos padrões conservadores da classe ruralista. Mas, ninguém esperava o desastre, que estaria por vir.

Quatro anos de mandato, sem nenhuma grande realização. É verdade que retomou o processo da industrialização do Estado, dos tempos do governador Jaime Lerner. Aliás, do grande governador Jaime Lerner, que modernizou o Estado e fez o Paraná dar um salto de qualidade no seu crescimento econômico.

Beto não fez obras e quebrou o Estado, em quatro anos. Mesmo sem quase nada para mostrar ao eleitor, conseguiu a proeza de se reeleger no primeiro turno. Não pelas suas qualidades pessoais, mas pela fragilidade de seus adversários, os senadores Roberto Requião, do PMDB, e Gleisi Hoffmann, do PT. Governador por três vezes, o eleitor não se encorajou a dar um quarto mandato a Requião, porque o terceiro já havia sido inexpressivo, com um discurso forte que não encontrava amparo na realidade de seu governo. Se o eleitor não queria Requião, muito menos se arriscaria a entregar o governo do Estado a senadora Gleisi Hoffmann, ex-ministra da presidente Dilma Rousseff e do PT de Lula. Por eliminação, sobrou a estampa do governador Beto Richa. Cidadão de sorte e com estrela.

Como não foi capaz de organizar as finanças do Estado nos quatro anos de seu primeiro mandato, o já sem estampa Beto Richa iniciou o seu segundo mandato, com o Paraná feito terra arrasada. Sem poder responsabilizar seu antecessor, porque é ele próprio, deu início a um proceder amargo de aumento de impostos, transferindo para a sociedade toda a incompetência e frustração do primeiro governo. Mais que aumentar imposto, resolveu meter a mão numa coisa sagrada, o fundo de aposentadoria dos servidores públicos do Estado, criado no governo de Jaime Lerner para ser uma solução da previdência dos servidores.

E nessa cruzada cavou, não sete, mas setenta palmos de sua sepultura política, ao permitir que o seu incompetente secretário da Segurança Pública protagonizasse uma verdadeira cena de guerra contra os professores, em greve. Logo contra os professores, que tiveram, no governo de seu saudoso pai, o grande José Richa, uma atenção de respeito e consideração. Logo contra os professores!

Se o Paraná estivesse sem rumo não seria tão preocupante, quanto a constatação de que o Estado está embicado num rumo de desastre e desmonte. Com um governador que perdeu, não apenas a pose da estampa mentirosa de bom moço, mas o respeito da sociedade paranaense.

Esse lugar, por inteiro, a História haverá de reservar a Beto Richa.

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