Preso, ex-deputado André Vargas deve dar notoriedade ao Paraná na corrupção

Nas eleições de 2002, quando Lula se elegeu presidente da República, o senador Roberto Requião se elegeu, pela segunda vez, governador do Paraná. E, no segundo turno contra o também senador Álvaro Dias, Requião teve o apoio decidido do deputado federal Padre Roque Zimmermann, que havia sido candidato a governador no primeiro turno, com um desempenho apreciável, de cerca de quase um milhão de votos.

Aí, Padre Roque, do alto de tamanha votação, buscou presidir do PT do Paraná, mas, de uma hora para outra, enfrentou uma resistência das lideranças petistas de Londrina, que, numa manobra nunca esclarecida até hoje, conseguiram fazer do vereador André Vargas o presidente do partido no Estado.

Com a eleição do vereador André Vargas para presidir o PT no Paraná, um importante membro do PT de Ponta Grossa vaticinou que André Vargas seria preso. Disse ele, na época: “Esse cara não vale nada. Você vai vê-lo algemado e preso”. O tempo passou e André Vargas, deputado federal, foi cassado, por denúncia de corrupção. Com um telefonema ao vaticinista do PT a respeito da cassação, ele acrescentou: “É só a primeira parte; está faltando a prisão”. E eis que a prisão se deu na sexta-feira. Em novo telefonema a ele, houve o pedido para que seu nome não fosse revelado. Da parte do colunista, houve o compromisso de, então, “divulgo o milagre, sem revelar o milagreiro”. E é o que acabo de registrar.

Como a prisão do ex-deputado André Vargas tem como justificativa sua influência no Ministério da Saúde e na Caixa Econômica Federal, na distribuição de verbas para publicidade desses dois compartimentos do governo federal, não há exagero em dizer que é bem possível que as espertezas de André Vargas, de repente, possam colocar mais gente do Paraná no mapa da operação Lava Jato. Ou, em outras palavras, no mapa da corrupção brasileira. É que “Andrèzinho”, como é chamado pelos mais íntimos, patrocinou boa parte da publicidade do governo federal em veículos de comunicação social de amigos seus, aqui no Estado. A sua prisão deve estar tirando o sono de alguns empresários do ramo, aqui no Paraná. Com alguma possibilidade, inclusive, de alcançar Ponta Grossa, eis que o deputado “Andrèzinho” andou tendo uma circulação vistosa, por aqui, por conta de apadrinhamento de amigo pessoal seu, radicado em Ponta Grossa. Tudo por conta de uma generosa troca de interesses.

Mas, se esse fato gera algum tipo de preocupação em alcançar uma ou mais pessoas aqui em Ponta Grossa, seguramente, está se prestando muito mais a caracterizar Londrina como a “capital da corrupção” no Paraná. Sim, porque da Capital do Café temos o registro da cassação de dois prefeitos, da prisão do principal operador do “petrolão”, o empresário Alberto Yousseff, amigo de André Vargas, e aí os escândalos mais recentes de uma quadrilha que agia no âmbito da Receita Estadual e de uma história ainda não contada inteiramente de licitação fraudulenta de contratação de oficina para cuidar da manutenção de veículos do Estado. É muita coisa para uma cidade importante do Brasil, É muita coisa para um povo honrado e responsável pela transformação econômica de uma grande região do Paraná. Mas, infelizmente, tudo é verdade.

A prisão do “Andrèzinho” pode, pois, ser apenas a ponta de um novo iceberg, envolvendo gente da Terra das Araucárias.

 

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