As vozes roucas não querem mais leis; querem um governo decente, com vergonha na cara

A presidente Dilma, seu governo e o PT são mestres em dissimulação. Aliás, mestres formados pelo mestre dos mestres da dissimulação, o ex-presidente Lula, que se aperfeiçoou na técnica da dissimulação pelo seu antigo mentor, o ex-ministro José Dirceu, o carismático ideólogo de toda essa engrenagem da fantástica dissimulação.

A fala dos ministros da Justiça, José Eduardo Cardoso, e da Secretaria Geral da Presidência, Miguel Rossetto, no domingo, logo após as históricas manifestações de ruas, foi um desastre. Na verdade, um desastre para nós, para a sociedade, porque, para eles, foi o exercício do aprimoramento da técnica da dissimulação. Técnica que se estendeu com o café requentado da promessa do envio de projeto ao Congresso Nacional para endurecer o combate a corrupção, O projeto, por sinal, foi entregue ontem, terça-feira, ao presidente do Senado, Renan Calheiros.

Acontece que as vozes roucas das ruas não estão pedindo mais projetos, mais leis, mais regulamentações de combate à corrupção. Elas estão clamando por um governo decente e com vergonha na cara. Basta cumprir o dever elementar da correção, da honestidade, da probidade. Nada mais. E Dilma, seu governo e o PT fingem não terem entendido esse recado. Dissimuladamente, voltam ao café requentado de aprimorar a legislação de combate a corrupção. Depois do mensalão, no primeiro governo de Lula, o PT e seus governos estariam, a rigor, proibidos de novas práticas de corrupção. Entretanto, como se sabe agora, ao mesmo tempo em que o Supremo Tribunal Federal julgava e condenava os corruptos do mensalão, seguia firme o processo de roubalheira na Petrobrás, com alguns dos agentes do mensalão, inclusive. Ou seja, o PT e seus governos querem ludibriar a sociedade com o aceno de mais legislação, para dizer que combatem a corrupção. Dizem que, ao seu tempo, a corrupção não é varrida para debaixo do tapete e que eles não possuem o “engavetador geral” da República. Entretanto, o PT não expulsou o ex-ministro José Dirceu de seus quadros, mesmo com a condenação havida no STF. E sobre isso, vale registrar, o ministro da Justiça, numa entrevista a competente jornalista Joyce Hasselmann, no “TV-Veja”, disse que o PT não expulsou José Dirceu porque teve entendimento diferente em relação à decisão do STF. Ora, o PT, então, não pertence às instituições nacionais. E é até possível, dadas suas ligações internacionais. Com o uso criminoso do BNDES.

As vozes roucas das ruas estão a pedir a presidente Dilma que se encha de brio, que reconheça os mal feitos de seu governo e que promova uma ampla reforma administrativa, reduzindo o escandaloso número de 39 ministérios, que corte milhares de cargos em comissão. Mais, que Dilma componha um novo governo, com figuras representativas da sociedade e comprometidas com a moralidade administrativa. Figuras que inspirem confiança e que tenham o respeito da sociedade.

É esse o clamor da sociedade, que Dilma, seu governo e o PT fingem não estar ouvindo. E se o clamor das ruas pedem que Dilma faça uma recomposição de seu governo, há também o clamor pela refundação do PT, que renegue a opção pelo crime e se volte ao papel institucional do partido político, em defesa dos interesses da sociedade. E o começo disso poderia se dar na expulsão de todos os condenados no mensalão e, agora, com a execração pública de seu tesoureiro, João Vaccari Neto, por todas as evidências de seu envolvimento, até a raiz do cabelo, com a roubalheira havida na Petrobrás.

Fora isso, as vozes roucas se manterão nas ruas.

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