Dilma colhe a semeadura da mentira que promoveu na campanha eleitoral

A presidente Dilma Rousseff recebeu, neste domingo, a resposta do povo às mentiras que pronunciou, ao longo de toda a campanha eleitoral do ano passado, o que lhe assegurou a reeleição. Em seu terceiro mês do segundo mandato, assiste a maior manifestação política de toda a História do Brasil contra um governo. Ainda que tenha a legitimidade do mandato, a despeito da fraude eleitoral provocada pela mentira pronunciada, a presidente Dilma se vê desmoralizada, desacreditada e isolada, mais do que nunca, no Palácio do Planalto. O tom de voz, na noite deste domingo, do ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, deu bem a idéia da desolação dentro do governo, ao se valer de expressões convencionais, como direito do povo em se manifestar, exercício da democracia e que o governo está aberto ao diálogo. Sem saída e sem apoio, não há mesmo outro caminho que não seja o de apelar para o diálogo, como tábua de salvação.

Impressiona, de outro lado, o grau de arrogância do governo em não reconhecer qualquer erro ou equívoco que tenha cometido. E nem seria o caso de se considerar a fala do ministro Miguel Rossetto, da Secretaria da Presidência da República, porque, se portando mais como militante de uma esquerda raivosa e radical do que como autoridade, viu nas manifestações populares, não um protesto da sociedade brasileira, capaz de fazer o governo refletir, mas, sim, uma exibição de eleitores que não votaram na presidente Dilma. Uma avaliação, no mínimo, irresponsável.

Dilma se reelegeu em cima da mentira que pronunciou e, imaginando-se dona absoluta do governo e do mandato, compôs seu segundo governo com a autoridade de quem se considera independente, mesmo dentro do próprio PT, como a querer dizer ao partido que quem se reelegeu foi ela e não o PT. Recado parecido desejou enviar ao ex-presidente Lula, também, na famosa e consagrada imagem da criatura se voltando contra o criador. E, aí, menosprezou o PMDB e quis compor uma força política, a partir de um grupo de partidos nanicos. O resultado está aí, no desmonte de sua base de sustentação política no Congresso Nacional e um governo desacreditado e despreparado para agir dentro de uma crise generalizada, produzida em seu primeiro governo. Na campanha, houve quem tivesse votado na presidente Dilma, mesmo não sendo ela a candidata da preferência pessoal. E a explicação para esse voto esquisito foi de que a crise, criada por ela e pelo ex-presidente Lula, iria explodir no governo seguinte. Logo, ela é quem deveria continuar no Palácio do Planalto para colher o que havia plantado. Dito e feito.

Diante de todo o quadro da realidade nacional, com o agravante do volume de corrupção, o governo e o PT deveriam se conscientizar que não há mais espaço para continuar mentindo e fazendo de conta de que o histórico protesto popular deste domingo é coisa das elites e da “imprensa golpista”. O governo está sem moral; a presidente da República está desacreditada. O PT deixou de ser um partido para ser visto como uma organização criminosa. Eles próprios precisam se convencer dessa realidade.

Ou a presidente Dilma e o PT reúnem forças para um gesto mínimo de humildade, no reconhecimento de erros cometidos, ou vão se afogar, de vez, na lama da crise que geraram. E essa situação faz lembrar uma campanha que se fez no Brasil, contra a formiga saúva, para se salvar a agricultura nacional: “Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil”. O Brasil acabou com a saúva. É só refletir.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *