Os grevistas não acreditam na palavra de Beto. Promessa não põe fim à greve

Na segunda-feira, houve assembléia dos professores da Universidade Estadual de Ponta Grossa para discutir se a greve pararia ou se teria continuidade. Decidiram pela continuidade, sem tempo definido. Perguntei a um professor se o governador já não havia acertado as coisas das universidades com os reitores. A resposta foi de que, primeiro, os reitores, no caso presente, não representam os anseios dos professores e, depois, os professores não acreditam mais na palavra do governador. “Nós não aceitamos mais promessas do governador Beto Richa, porque ele não cumpre com o que promete”, referindo-se a férias atrasadas, autonomia das universidades e outras questões pontuais. Na avaliação desse professor, somente ação concreta, como depósito em conta do dinheiro devido, pode ter o poder de colocar um ponto final na greve. Ou seja, a palavra do governador não tem mais, vale repetir, qualquer valor. Em se tratando da maior autoridade do Estado, é um fato relevante.

A tal humildade a que o governador disse possuir, ao reconhecer ter havido um erro na forma do encaminhamento do tal pacote de maldades à Assembleia Legislativa, não se ajusta bem ao seu perfil. É que não há como negar que o propósito do governador e, assim, de seu governo foi de forçar uma situação rápida, impondo as medidas duras que os projetos continham, sem margem para qualquer discussão ou negociação. Mais, houve subestimação da força dos professores. Por conseguinte, a retirada dos projetos da Assembleia não foi ato de humildade alguma; foi recuo mesmo, por conta da força da resistência dos professores e dos servidores públicos do Estado, em geral.

Como a questão maior ainda não foi resolvida, que é a fusão dos fundos da ParanáPrevidência, de modo a que o governo fique autorizado a meter a mão nos 8 bilhões de reais existentes, tudo indica que a greve dos professores das universidades e dos professores da rede pública vai ter continuidade, sim. Ainda mais depois de pesquisa que constatou que essa greve tem o apoio de 90% da população do Paraná e que o prestígio do governador está à beira do chão. Dada a gravidade da situação, o governo cometeu um novo erro ao anunciar que não conversará mais com os professores e ter decidido ir à Justiça buscar meios para por um fim à greve e determinar o pronto retorno dos professores para as salas de aula. A coisa não se mostra tão simples, assim.

Só pode gritar valentia, quem tem razão. Fora disso, não existe o valente; existe, quando muito, o falastrão, aquele que imagina impressionar com o discurso da arrogância. O governo do Estado não está em condições de dar o famoso murro na mesa, bater às portas da Justiça para pedir que os professores sejam mandados de volta às salas de aula. Se houve erro político, e grave, na forma desejada de aprovar as medidas duras dos projetos de fevereiro, houve novo e sério erro no anúncio do rompimento das negociações e encaminhamento do caso à Justiça.

O governador precisa, antes de mais nada, reunir o governo, reavaliar o quadro delicado da situação do Estado e, aí, definir um rumo, que seja seguro, sem ser violento, que seja racional, sem ser arrogante, que inspire confiança e não confronto. Fora disso, o quadro ficará mais sombrio ainda., pois, não basta importar burocrata para fazer caixa para o governo.

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