O PT não é um partido político; é uma instituição de inversão de valores

Seria ingenuidade atribuir ao PT a existência da corrupção no Brasil. A corrupção existe no mundo, desde que o mundo é mundo. O ser humano, pelo seu grau de imperfeição, é o próprio agente da corrupção. Porém, a Humanidade, no natural avanço dos tempos, criou instrumentos para a evolução do ser humano e estabeleceu critérios para diferenciar o Bem do Mal. Fazendo uso do livre arbítrio, de que é dotado pelo Criador, as pessoas foram se classificando entre honestos e desonestos, entre os que se empenham para ganhar a vida trabalhando corretamente e os que ganham a vida na esperteza e na malandragem, pouco se importando com o bem comum. O homem honesto tem consciência de sua responsabilidade social, enquanto o desonesto pensa em sua vantagem social.

O ministro Gilmar Mendes, do STF, disse ainda no ano passado, diante do aparecimento das denúncias de corrupção na Petrobrás, que o mensalão, que escandalizou o Brasil, diante da nova realidade dos fatos denunciados, seria assunto para o Tribunal de Pequenas Causas. Há quem diga que, se as investigações baterem às portas do BNDES, o “petrolão” poderá virar tema para o Pequenas Causas. Eis aonde chegamos!

Desgraçadamente, a corrupção é um mal que tomou conta da sociedade brasileira, fazendo parte mesmo da cultura de nosso povo. Começa pela campanha eleitoral, em que o eleitor procura esfolar o candidato. Primeiro pede dinheiro. Se o dinheiro não lhe for dado, pede para o candidato pagar a conta de uma receita da farmácia, uma conta velha de luz, de água. Se mesmo assim não for bem sucedido, pede um cigarro.

Podemos dizer que a construção de Brasília foi um marco da corrupção no Brasil. Mas, essa é uma questão que tem a sua discussão abafada pela veneração histórica ao ex-presidente Juscelino Kubitscheck, seu fundador. Mas, ninguém pode ignorar que a construção de Brasília construiu muitas fortunas e ampliou outras tantas. É, por isso, que Brasília é o Brasil virtual.

Mas, sob a égide dos governos do PT, estamos a assistir um processo seqüencial de verdadeiros espetáculos de corrupção, sem que a descoberta de um desses espetáculos sirva de pretexto para impedir a continuidade dos demais. É que o PT não é um partido político; é uma instituição de inversão de valores. E aí reside o perigo que ameaça a sociedade brasileira. Se o PT fosse um partido político convencional, o escândalo do mensalão teria sido suficiente para estancar as sangrias do dinheiro público, que continuam a se processar. Como parece demonstrado, ao mesmo tempo em que a antiga cúpula do PT estava sendo julgada, condenada e encaminhada para Penitenciária da Papuda, em Brasília, outros dirigentes do mesmo PT davam seguimento ao proceder normal do desvirtuamento da ética na administração pública, sem o menor constrangimento. Saiu Delúbio Soares e entrou João Vacari Neto no comando da Tesouraria do PT, a despeito de toda a estripulia feita na Bancoop, em São Paulo.

É preciso se prestar mais atenção no PT, pelo grau do perigo que representa para a sociedade nacional. O primeiro delator da roubalheira da Petrobrás, Paulo Roberto Costa, já disse que o que foi feito na Petrobrás é feito em todos os demais órgãos da administração federal. O discurso em favor do pobre, as aparentes ações em favor do pobre, são estratégias para se instrumentalizar da simpatia do pobre para vencer eleição. Nem seria o caso de se abordar aqui o vergonhoso espetáculo da mentira que a presidente Dilma proporcionou para garantir a sua reeleição.

Na cultura do PT, como instituição, não existe constrangimento, nem sentimento de culpa, muito menos a ridícula ética, de que havia se apossado, enquanto oposição. A vingança em cima das elites, de que tanto gosta de discursar, se dá na corrupção, sem limites.

Enfim, o PT é tema para a Sociologia.

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