Plauto nunca sonhou com Tribunal de Contas. O seu grande sonho é ser prefeito de Ponta Grossa

O sonho de todo o político é ser governante de seu povo. Vereador e deputado estadual fitam os olhos na prefeitura; deputado federal e senador olham para o palácio do governo de seu estado; governador e ministro aspiram a Presidência da República. Essa é a regra. A exceção é presidente de sindicato virar presidente da República. Mas, acontece.

Em 1990, o jovem Plauto Miró Guimarães Filho se elegeu deputado estadual, pelo partido que era comandado pelo seu saudoso pai, o ex-prefeito Plauto Miró Guimarães, o PFL, hoje DEM. Quatro anos mais tarde, Plauto conquistaria a sua primeira reeleição, já com os olhos postos na sucessão do saudoso prefeito Paulo Cunha Nascimento.

Assim, em 96, o ainda jovem deputado se apresentou como candidato a prefeito da cidade. Mas, não era a sua vez, porque o eleitor queria mudar, queria novidade. E o grupo ao qual Plauto pertencia estava governando a cidade pela terceira vez – Otto Cunha, 83 a 88; Pedro Wosgrau Filho, 89 a 92; Paulo Cunha Nascimento, 93 a 96.

Com Plauto, se apresentaram dois de seus colegas deputados estaduais, Péricles de Holleben Mello, do PT, e Jocelito Canto, que trocaria o PSC pelo PSDB. Como havia ainda uma resistência ao PT de Péricles, o eleitor preferiu eleger o jovem radialista e deputado estadual Jocelito, que, na verdade, disputou a eleição com Péricles. Plauto ficou na terceira posição.

Em 2000, com o instituto da reeleição implantado no País para os cargos executivos, Jocelito, a quem os amigos de Plauto elegeram com adversário a ser derrotado, chegou a decidir apoiar uma candidatura de Plauto, desde que ele, como deputado, abrisse as portas do Palácio Iguaçu para Ponta Grossa. Jocelito queria pavimentar o maior número possível de linhas de ônibus na cidade. Com a Prefeitura sem dinheiro, o recurso era conseguir um financiamento do programa Paraná Urbano. Mas, como Jocelito foi colocado à esquerda do governador Jaime Lerner, pelo pessoal do Plauto, só o próprio Plauto poderia romper a barreira e liberar o dinheiro que Jocelito tanto queria para fazer asfalto para o povo do bairro, o seu povo, a sua gente.

Por conta disso, Jocelito havia tomado a decisão de não disputar a reeleição e apoiar uma nova candidatura de Plauto. Mas, os partidários de Plauto não permitiram que houvesse uma aproximação. E, aí, Jocelito não teve dinheiro para asfaltar linhas de ônibus e o Plauto acabou apoiando, de certa, a candidatura de Péricles, que derrotou Jocelito.

Mas, como tudo isso aconteceu no ano 2000 e estamos em 2015, outra é a realidade e outras são as circunstâncias. Hoje, o mesmo eleitor que não queria o Plauto, em 96, porque seria continuidade do Otto, do Pedro e do Paulo, hoje pode estar vendo o Plauto com outros olhos e como a melhor alternativa de mudança, porque o Plauto tem um perfil bem diverso do perfil do atual prefeito da cidade, Marcelo Rangel, que só virou prefeito porque teve o apoio do Plauto. Um grande equívoco do Plauto. Mas, isso é uma outra história.

O Tribunal de Contas virou um atrativo de ocasião, diante de uma falta de perspectiva para a realização do grande sonho de ser prefeito de sua de própria cidade. Acontece que essa perspectiva, diante do fraco desempenho do governo desse moço sem preparo, está pairando no horizonte.

Não seria exagero dizer, por exemplo, que hoje a cidade estaria a precisar da experiência, do equilíbrio e do preparo de Plauto, que não representa a continuidade de ninguém, mas uma renovação de valor, de qualidade, de competência.

E para quem nasceu e se criou em fazenda, faz todo o sentido dizer que o cavalo está, mais do que nunca, passando encilhado. Basta montá-lo.

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