É claro que Graça Foster sabia de tudo. Mas, como Dilma iria denunciar o pessoal do Lula?

A ex-gerente Venina Velosa da Fonseca  trouxe um dado novo para toda a roubalheira que está sendo denunciada, investigada e revelada na Petrobrás, ao dizer que os dirigentes da empresa não podem alegar desconhecimento, por terem sido alertados. E, ironicamente, o alerta que ela própria diz ter feito chegou a diretores comprometidos com todo o processo de assalto aos cofres da empresa. Logo, não seriam eles que dariam atenção maior ao referido alerta. Aliás, fizeram o natural, ou seja, transferir a servidora incômoda para bem longe do Brasil e distante do acompanhamento das malfeitorias que se processavam no dia-a-dia da empresa.

É elementar que a presidente Dilma Rousseff deveria saber de tudo o que se passava na Petrobrás, tanto ao seu tempo de presidente do Conselho de Administração da empresa, quanto na condição de presidente da República. Se nada de errado estivesse acontecendo na Petrobrás, Dilma não teria razões para ter substituído Sérgio Gabrielli por Graça Foster no comando da empresa.

É forçoso reconhecer uma grande diferença nos estilos de governar entre o ex-presidente Lula e a presidente Dilma Rousseff. Os grandes escândalos de corrupção aconteceram e estão a acontecer com figuras ligadas ao ex-presidente Lula, a figuras nomeadas por ele, como o ex-ministro José Dirceu, no caso do mensalão, e Sérgio Gabrielli e outros diretores da Petrobrás, agora no chamado petrolão. É verdade que Gabrielli ainda não teve seu nome citado, de forma oficial, nas investigações conhecidas. Mas, a própria ex-gerente Venina citou o seu nome, na relação dos diretores que teriam sido alertados por ela. Da presidente Dilma, não há ninguém tendo de acertar contas com a Justiça. Não se conhece um único nome, revelado por ela em cargo de relevo na administração federal, que esteja sendo citado pela Polícia Federal ou pelo Ministério Público Federal. Dois estilos, portanto, bem distintos.

O ex-presidente Lula, indiscutivelmente, está a dever uma satisfação à sociedade brasileira, pois, diante de tudo o que aconteceu no seu primeiro governo, com o mensalão, era de se imaginar que ele estabelecesse uma linha de absoluto rigor no compromisso da moralidade, para que no restante de seu primeiro governo e no curso do segundo nada mais acontecesse que fizesse lembrar o que até então era tido como o maior escândalo de corrupção na História do Brasil.

Como não houve um rigor de moralidade, a revelação das barbaridades havidas na Petrobrás levou o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, a dizer que o mensalão era caso para o Tribunal das Pequenas Causas. Ou seja, os dois governos do presidente Lula se superaram nos escândalos de corrupção.

Como a presidente Dilma não tem em seu currículo qualquer indicio de comprometimento com a corrupção, da mesma forma, como não há no currículo da presidente da Petrobrás o menor sinal de prática desonesta em toda a sua vida profissional dentro da empresa, chega-se à conclusão do profundo dilema da presidente Dilma entre mudar, sem alarde, e tornar público o que aconteceu nos governos de seu antecessor. Sim, porque Dilma colocou sua amiga pessoal Graça Foster no comando da Petrobrás para fazer uma varredura nos negócios da empresa, tanto que Graça mudou praticamente toda a diretoria da empresa.

Assim, pelo compromisso pessoal e político com Lula, Dilma e Graça podem, de repente, ser responsabilizados por omissão e até por conivência. Talvez, mais por conivência, pelo silêncio. Mas jamais por práticas danosas ao Erário. Dilma é muito diferente de Lula, como Graça de Gabrielli.

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