O Marcelo Rangel não pode mais culpar o Pedro Wosgrau

No primeiro ano de qualquer governo, é comum a responsabilização por atraso em pagamento ao governo anterior. Isso já virou cultura na administração pública brasileira. Até o final do ano passado, por conta disso, o prefeito Marcelo Rangel podia dizer que não estava conseguindo fazer o repasse financeiro, na data prevista, às entidades assistenciais e, assim  também, aos fornecedores e prestadores de serviços ao Município, porque o ex-prefeito Pedro Wosgrau Filho havia deixado a Prefeitura endividada. E, aí, sobrava pouco para uma eventual crítica a esse despreparado administrador da coisa pública de Ponta Grossa.

Entretanto, nós estamos terminando o segundo ano do governo do prefeito Marcelo Rangel. Ou seja, a falta de dinheiro, o desequilíbrio orçamentário do Município, agora é de sua inteira responsabilidade, porque ele teve, em 2013, um ano inteiro para arrumar a casa, ajeitar as coisas, cortas gastos, diminuir horas extras, de modo que, no ano de 2014, a máquina estivesse devidamente azeitada e pronta para funcionar, a contento.

Tem sido comum ouvir-se de prestador de serviço, e mesmo de fornecedor, que não vai mais negociar com a Prefeitura Municipal, enquanto o prefeito for Marcelo Rangel. Um deles contou que, diante de uma circunstância em que precisou gastar dinheiro seu para socorrer o governo municipal numa emergência, ouviu do prefeito, diante de meia dúzia de testemunhas, que, dali a quinze dias, ele receberia seus haveres do Município. Isso já passou de noventa dias, sem previsão de pagamento. Conclusão desse empresário: nesse governo, nem a palavra de prefeito tem valor.

Coincidência ou não, o meso se ouve de dirigente de entidade assistencial, porque, no mês de julho, diante do primeiro sinal de inadimplência do Município, o prefeito disse a todos esses dirigentes, reunidos no gabinete prefeitural, que não haveria mais atraso e que, na eventualidade de ocorrer, reuni-los-ia novamente para dar-lhes satisfações. Os atrasos passaram a se suceder e nunca mais mereceram a menor satisfação, por parte do prefeito. E esse mesmo dirigente falou, inclusive, que, se chamado, ele não irá mais ao gabinete do prefeito. E que se o prefeito quiser falar com as entidades, que compareça a uma reunião da Associação das Entidades Assistenciais de Ponta Grossa. É que a palavra dele não tem mais credibilidade, segundo esse dirigente. Que coincide com a opinião do empresário.

Então, a crise financeira que está se abatendo sobre as finanças municipais é de inteira responsabilidade do prefeito Marcelo Rangel. Se ele perdeu o equilíbrio no segundo ano de seu governo, nada indica que conseguirá no terceiro ano. Até porque está com essa campanha absurda de conceder vinte por cento de desconto, no ano que vem, ao contribuinte que estiver em dia com o pagamento do IPTU até o final deste ano. Para Marcelo Rangel, vinte por cento deve ser um número qualquer. Em outras palavras, para apagar o incêndio de agora, ela não se preocupa com o fogaréu que está armando para o ano que vem.

Mas, nos primeiros dias de seu governo, quis ser engraçadinho e fez aquela promessa de dez por cento de aumento real às professoras municipais. Que acabou sendo obrigado, pela competente exigência do sindicato da categoria, a estender a todos os servidores municipais.

O resultado está aí. E só ele não sabia que a sua precipitação ia dar, justamente, nisso.

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