A Dilma deveria ser responsabilizada, pelas mentiras ditas sobre a Petrobrás

Na CPI do mensalão, dizia-se que se tratava da “CPI do fim do mundo”, por conta da revelação da existência de uma verdadeira quadrilha, que agia a partir do Palácio do Planalto, sob o comando do então ministro-chefe da Casa Civil, deputado José Dirceu. Passado todo o processo do mensalão, com gente sendo presa e já em liberdade, eis que surge um novo e maior escândalo – o PT é incansável em se superar! -, com uma outra quadrilha de tentáculos mais ousados, instalada e em funcionamento dentro da Petrobrás, a maior empresa brasileira. Se antes tivemos o mensalão, agora temos o petrolão.

E, nesse contexto, o acreditado ministro do STF Gilmar Mendes acaba de fazer uma manifestação, dizendo que, diante das revelações dos números do petrolão, o mensalão, hoje, seria julgado no tribunal das pequenas causas. Grande e preocupante verdade.

Na campanha eleitoral, bem recente ainda, a candidata à reeleição acusava o seu principal concorrente, o senador Aécio Neves, de pretender desmoralizar a “nossa maior empresa”, ao insistir nas acusações de corrupção, dentro da Petrobrás, assegurando que tudo estava sob controle e que a oposição queria politizar o episódio da denúncia de corrupção, esforçando-se por passar a impressão de que tudo não passava de um novo e corriqueiro caso de corrupção no Brasil. E garantia: “No nosso governo, nós apuramos!…”

Vê-se, agora, que estamos diante do maior caso de corrupção da História do Brasil, e, muito provavelmente, num dos maiores escândalos de corrupção do mundo. E que tudo foi negado, ou contemporizado, no curso da campanha eleitoral. Mais, negado, contemporizado e perpetrado ao longo dos últimos doze anos, sob a égide dos governos do PT, com Lula na Presidência da República, Dilma, no Ministério das Minas e Energia, na presidência do Conselho de Administração da Petrobrás, na chefia da Casa Civil e, por fim, na Presidência da República. E nem Lula e nem ela nunca souberam de nada. Gente ingênua, pueril, inocente…

O tamanho da mentira, que se prestou a fraudar o processo eleitoral – sim, mentira é fraude -, deveria se prestar a um processo de questionamento das eleições presidenciais, eis que o eleitor foi iludido, enganado, trapaceado, diante das afirmações irresponsáveis da candidata à reeleição, que se confundia com a figura da presidente da República.

Como a vida ensina a se buscar um ponto positivo em cada tragédia, podemos dizer que o ponto positivo nesse escandaloso processo da corrupção na Petrobrás está sendo o fato de a investigação estar alcançando corruptos e corruptores, porquanto sempre se disse que a corrupção no Brasil precisa ter o seu combate voltado também para o corruptor, porquanto nunca se viu um servidor público, um dirigente de empresa pública, um ministro, um prefeito, um governador, um presidente da  República abrir um cofre, encher um saco de dinheiro e se encaminhar para a casa. Não, o processo sempre esteve na contratação de obras e serviços públicos, por preços abusivamente elevados, com o retorno, em forma de corrupção, sendo feito pelo empresário contratado. Exatamente, como está sendo demonstrado, agora, no caso do petrolão.

Ainda que a reeleição da presidente Dilma Rousseff não possa, constitucionalmente, ser questionada, é confortante a constatação de que essa reeleição não lhe confere credibilidade pública, respeito das pessoas, seriedade no proceder.

Ainda nem terminou o primeiro mandato e sem assumir o segundo, o ambiente na sociedade é de ampla rejeição à sua figura e aos feitos de seu governo e aos feitos dos dois governos de seu antecessor e protetor.

Como se vê, a vitória eleitoral não confere credibilidade, respeito, investimento moral. Está, aí, presidente reeleita Dilma Rousseff para autorizar essa afirmação.

 

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