Das urnas de outubro, ressurge uma oposição vigorosa, o que é salutar para a democracia

A presidente Dilma Rousseff está apelando para o desembarque dos palanques eleitorais, não por um gesto de grandeza, mas pelo temor das circunstâncias, pelo reencontro com a verdade, escamoteada no curso da campanha eleitoral. Não é demais repetir, que ela ganhou a eleição, mas não ganhou o respeito da Nação. A sua campanha foi velhaca, farsante, demolidora de valores e de verdades.

O discurso do senador Aécio Neves, na quarta-feira, sinalizou que a oposição no Brasil está de volta, e vigorosa, para cumprir o papel constitucional que mais de 51 milhões de pessoas lhe confiaram. E a oposição no regime democrático tem um papel notável, sempre que feita com o vigor da credibilidade, o compromisso da defesa dos interesses da sociedade nacional, o dever da responsabilidade constitucional. E foi nessa direção que o senador Aécio Neves apontou o caminho da oposição que ressurgiu das urnas. E o PT, que foi forjado na trincheira da oposição, jamais deveria combater a oposição ao seu governo; antes, entendê-la e respeitá-la, o que naturalmente não está a acontecer, nem haverá de acontecer, porque o discurso da ética de antes era tão mentiroso e oportunista quanto foi o discurso da campanha da reeleição da presidente Dilma.

O ex-presidente Lula, em seus dois governos, mutilou as forças de oposição no Congresso Nacional, por meio de negociações espúrias, o que permitiu que a improbidade administrativa no Brasil ganhasse as dimensões que estão a romper todas as barreiras que, nem de longe, a sociedade chegou a imaginar um dia. É, por isso, que as vozes das urnas que confiaram ao senador Aécio Neves o comando da oposição no Brasil merecem ser acatadas. Mais, consideradas pelo próprio senador mineiro, que recebeu esse encargo, essa missão cívica, esse dever patriótico de homem público acatado e conseqüente. A presidente Dilma Rousseff não precisa temer a oposição. Não precisa querer ensinar ao padre rezar missa, dizendo que o ressentimento é a marca de quem não sabe perder, da mesma forma, como a retaliação seria a marca de quem não sabe ganhar. Basta que, em seu segundo governo, seja apenas verdadeira, praticando o que pregou na campanha eleitoral, a começar, por exemplo, no combate à corrupção, especialmente, da corrupção instalada na Petrobrás. Ao propor que iria promover uma verdadeira cruzada no combate a corrupção, “doa a quem doer”, ela tem a primeira oportunidade de comprovar que falava a verdade, que pregava o que acreditava, que anunciava o que, de fato, iria realizar.

E, aí, como disse o senador Aécio Neves, ela poderá propor um diálogo com as forças de oposição, porque terá demonstrado o compromisso de comandar um governo livre de qualquer comprometimento com os maus feitos, de que tanto falava no início desse seu primeiro governo, mas cujo discurso se perdeu na continuidade dos dias. O mensalão, tido e havido com o maior escândalo de roubalheira do dinheiro público do Brasil, está a caminho de se transformar em troco, diante das ações da quadrilha instalada na Petrobrás.

O Brasil precisa ser passado a limpo. E, se não for pela ação do governo, em cima do que proclamou a candidata à reeleição, que seja pela força da oposição, na fidelidade de interpretar o sentimento de indignação da sociedade brasileira, representada diretamente pelos mais de 51 milhões de votos que teve e, de certa forma também, pelos outros 30 milhões que se abstiveram de votar, pelo desencanto com o proceder de boa parte das figuras públicas deste País, representada, especialmente, pelo PT e partidos aliados.

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