Reeleita, Dilma parece estar se sentindo sozinha, por lhe faltar credibilidade

A reeleição da presidente Dilma Rousseff não vai frear, nem apagar as investigações da maior roubalheira de dinheiro público da história deste País, perpetrada na Petrobrás, ao longo dos governos de Lula e da própria Dilma. Da mesma forma como o cidadão comum acredita que Lula sabia das malfeitorias de seu chefe da Casa Civil, José Dirceu, no caso do mensalão, esse cidadão acredita também que tanto Lula, quanto Dilma sabiam de tudo o que se passava na Petrobrás, porquanto parece improvável que uma tamanha sangria nos recursos da maior empresa brasileira, de propriedade do povo brasileiro, não fosse do conhecimento do chefe do governo. E da chefe do governo. Até porque é de se imaginar que a Presidência da República disponha de um serviço de informações, ao menos, de razoável eficiência, para descobrir e informar sobre tudo o que se passa dentro do governo.

Mas, independentemente de Lula saber, ou não saber, de Dilma saber, ou não saber, o que ganha força na sociedade nacional é demonstração de falta de confiança no novo governo de Dilma. A reeleição, no curso dos acontecimentos, parece não se constituir em motivo para qualquer comemoração. É que as evidências de agora estão a atestar o abuso do falso discurso da campanha eleitoral da candidata à reeleição. Houve mentira demais, da mesma forma, como houve má fé em excesso. A vitória era uma questão de vida ou morte para Dilma, para Lula, para o PT. E foi com esse referencial que a vitória aconteceu. Uma vitória que não infunde respeito. E, aí, reina o grande desafio para a presidente Dilma Rousseff, em seu segundo governo, conquistar o respeito da sociedade.

Há o lado do desafio na recuperação da economia, como há o desafio na busca da sustentação política, como há, por fim, o desafio em saber administrar as conseqüências do avanço das investigações e revelações do proceder da quadrilha que agia dentro da Petrobrás. O instante da revelação dos nomes, ou de mais nomes, dos envolvidos diretamente nesse escândalo haverá de produzir algum tipo de solavanco no governo, diante da natural confrontação do discurso de campanha da moralidade pública, do compromisso de combater a corrupção, “doa a quem doer”.

É claro que não há motivo para comemoração, da parte do governo, pela expectativa do vendaval que se aproxima, e, da parte da oposição, pelo compromisso maior com o Brasil, na preservação das instituições e no respeito à Constituição. É um quadro sensível e delicado, que nos remete para o dito popular: “Quem semeia vento, colhe tempestade”. E é tudo o que está a se desenhar no horizonte da política nacional.

Não sem razão, o senador Aécio Neves, na sua volta ontem à Brasília e à cena política, disse que o maior cuidado que a presidente Dilma deve ter é para evitar que, em janeiro, o novo governo esteja se parecendo velho demais. É que esse final do primeiro governo haverá de desfazer boa parte da imagem pintada do paraíso que seria o segundo mandato.

A democracia brasileira caminha para um verdadeiro teste de superação, pois, se as forças do governo poderão se ver emparedadas, pelas circunstâncias dos fatos previsíveis, as forças de oposição terão a seu encargo o dever da responsabilidade pela manutenção do regime e das leis.

 

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