Dinheiro da Câmara dá uma “meia ajuda” para as entidades assistenciais

O governo municipal, por um desarranjo administrativo ou por uma deficiência em sua assessoria jurídica, está às voltas com uma das mais sérias crises financeiras do Município, por conta de seqüestros de depósitos, pela Justiça do Trabalho. Há toda a uma questão que remonta aos oito anos de governo do ex-prefeito Pedro Wosgrau Filho, que andou contratando um caro escritório jurídico de Porto Alegre para a emissão de um parecer que assegurasse não haver obrigatoriedade no recolhimento do FGTS aos servidores públicos municipais. Além de uma herança que já havia, o problema se agigantou com o fato de Pedro não ter feito recolhimento ao longo de seus dois períodos de governo.

Mas, isso tudo é passado. E quem está à frente do governo tem a obrigação de saber lidar com tudo isso. Afinal, o prefeito não está no cargo por nomeação. O prefeito está no cargo porque disputou uma eleição e ganhou. Logo, o governante tem a obrigação de saber administrar crises, dificuldades, seqüestros judiciais de depósitos bancários.

Por conta de todo esse arsenal de dificuldades, as entidades assistenciais estão passando por um período crítico, desde o mês de julho e que vai perdurar, pelo menos, até o final do ano.

Ontem, esse assunto foi debatido durante toda a manhã, envolvendo os dirigentes das entidades, os vereadores George Luiz de Oliveira e Delmar Pimentel e o secretário de Finanças do Município, Odailton José Moreira de Souza. Com a obrigação de pagar os servidores municipais no dia de hoje, o secretário Odailton demonstrou a incapacidade financeira do Município em saldar a maior parte de setembro ainda não quitada com as entidades. O secretário, pelo menos, deu uma satisfação.

As entidades estavam mobilizadas para um protesto radical, em que se falava, inclusive, na possibilidade de fechamento de boa parte delas. Uma “meia solução” nasceu da proposta do vereador Delmar Pimentel ao vereador George Luiz de Oliveira, que está respondendo pela presidência da Câmara Municipal, para um repasse ao Município de um milhão de reais, de modo a socorrer as entidades. No final, o repasse acabou acontecendo no valor de R$ 500 mil, ficando o restante para a semana que vem. O Legislativo poderia ter repassado o valor de um milhão de reais.  Pelo que foi dito, o presidente licenciado Aliel Machado, consultado a respeito, teria resistido à idéia, o que determinou, então, o repasse de meio milhão de reais, que hoje, ainda, estará tendo o destino do acerto com algumas entidades.

Além da falta de habilidade política do prefeito Marcelo Rangel, o que não surpreende, vale registrar o sumiço do secretário da Assistência Social, vereador Júlio Kuller, no acompanhamento de toda essa situação delicada das entidades, num ato de clara omissão e de verdadeira desconsideração para com as entidades, que ele procurou na campanha de 2012 para pedir votos, apresentando-se como o “vereador das entidades”. Neste caso, vale se perguntar o que faz o secretário da Assistência Social, num instante em que uma crise se instala nas entidades, por conta de problemas do governo municipal. Sequer, o secretário teve competência para reunir as entidades e fornecer uma explicação. Aí, parece que o ditado popular, mais uma vez, tem razão, quando diz que os iguais se atraem. Realmente, Marcelo Rangel e Júlio Kuller se atraem na incompetência e na desconsideração para com as entidades assistenciais.

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