A reeleição de Dilma se parece com uma vitória sem sabor. E com previsão amarga

A reeleição da presidente Dilma Rousseff, no domingo, está se parecendo com uma vitória sem sabor, sem motivo para comemoração, sem significado de conquista. Uma vitória constrangida.  Aliás, Dilma perdeu em Brasília. E sua agenda, ao menos para esse final de ano, é bom não contemplar viagens para as três regiões do País, onde foi derrotada, porque o sentimento é de frustração com uma mistura de revolta. O povo dessa parte importante do Brasil cansou do PT, cansou dos três governos do PT, cansou do excesso de corrupção do PT no governo. E não gostou da campanha de destruição de valores que Dilma comandou para se reeleger. Enfim, reeleita, a presidente Dilma Rousseff não tem o respeito de boa parte da sociedade nacional, mormente, nas três regiões em que perdeu a eleição. Nas três regiões onde está a marca forte da divisão do Brasil.

No Congresso Nacional, a presidente reeleita já começa a sentir uma reação de independência, por parte, especialmente, do principal aliado desse governo que está terminando, que é o PMDB. O PMDB do novo governo de Dilma não deverá ser o mesmo do primeiro governo. Há acertos de conta previstos. E tudo deve começar, por exemplo, com a eleição do deputado Eduardo Cunha, do Rio de Janeiro, para a presidência da Câmara dos Deputados, apoiado pelos partidos de oposição. Haverá, com certeza, um confronto com o PT. A velha tradição de a presidência da Casa caber ao partido mais votado deve pertencer ao passado. Dilma e o PT não cuidaram do terreno para as futuras pontes. Antes, dinamitaram as que existiam. E a reconstrução não será fácil. A parte machucada do PMDB, seguramente, não irá reivindicar cargos no novo governo. Essa parte machucada vai querer acertar suas contas no Congresso Nacional, no voto em matérias caras ao governo. Aliás, o senador Renan Calheiros já avisou que o projeto da constituinte para a reforma política não tem a simpatia do PMDB. E o deputado Henrique Eduardo Alves, que foi derrotado no Rio Grande do Norte, também já mandou o seu recado, na rejeição ontem ao projeto dos conselhos populares.

A proposta de diálogo de um governante vitorioso sempre é vista como um ato de grandeza. No caso presente, a proposta da presidente Dilma soa como necessidade de sobrevivência própria. Não é a oposição que está precisando de diálogo, porque a oposição saiu fortalecida desta eleição, caiu de pé. Quem precisa de diálogo é quem ganhou, quem venceu, quem fez de tudo para derrotar o adversário, transformado em inimigo público. Dilma e o PT não tiveram limites no projeto de poder.

O diálogo com a oposição vai acontecer. Entretanto, a oposição não irá se curvar. A oposição vai conversar de igual para igual. É que Dilma se apequenou na vitória sem sabor. E a procura do diálogo é uma tentativa de amenizar o amargor que está por vir. Será um esforço para conter a rebelião no próprio quartel.

E, por fim, é bom lembrar que a roubalheira havida na Petrobrás vai continuar produzindo estardalhaços. A matéria da revista Veja continua viva, com a acusação pesada e séria de que Lula e Dilma sabiam de tudo.

Há quem não tenha dúvida alguma disso. O diálogo não será fácil, portanto.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *