Dilma venceu no “país” do Bolsa Família e perdeu no “país” que trabalha e que produz

O Brasil se dividiu ao meio neste domingo. A reeleição da presidente Dilma se deu em meio a um processo atípico no regime democrático, com a estratégia da desconstrução moral do adversário e a disseminação da mentira junto aos segmentos mais carentes da população brasileira, quanto ao risco de o Estado retirar-lhes os benefícios do assistencialismo. Afora qualquer preconceito, esse é o retrato vivo da eleição neste domingo, pois, a presidente Dilma Rousseff se reelegeu no território do Bolsa Família, com as duas exceções de Minas Gerais e Rio de Janeiro, e viu seu adversário, o senador Aécio Neves, vencer no território que trabalha, que produz, que move a economia do País. Economia que permite que o governo sustente o assistencialismo. É preciso evidenciar, longe de qualquer conotação preconceituosa, que o Brasil possui, hoje, uma moderna e avançada legislação na área da Assistência Social, mas vive uma fantástica contradição, a partir, justamente, do assistencialismo do programa Bolsa Família, que precisa evoluir para as práticas pregadas na legislação do SUAS – Sistema Único da Assistência Social, de modo a desenvolver não o clientelismo eleitoral, mas, sim, a promoção humana, de que tanto propõe a legislação.

No sábado, ainda, tratamos aqui da banalização da corrupção, por conta da generalidade dos maus feitos nos doze anos de governo do PT, de tal modo que as pessoas se mostram anestesiadas. As pessoas, bem entendido, que dependem do assistencialismo do Estado, que menos estudaram, que menos refletem, que menos produzem. Ou seja, no território mais evoluído, mais avançado, mais produtivo, a presidente, seu governo e seu partido foram derrotados. E a homogeneidade revelada do proceder nos dois territórios guarda uma séria advertência à presidente reeleita, ao mesmo tempo, em que faz aflorar uma séria preocupação à sociedade nacional quanto aos rumos desse historio quarto governo seguido do PT. Especialmente, pela história e pelas características de agir do PT.

Porém, há um dado interessante e revelador na fala da vitória da presidente reeleita, mais significativo inclusive do que o apelo ao diálogo, que é um avanço importante, que foi a reafirmação de seu discurso de campanha quanto ao combate duro à corrupção. À primeira vista, uma referência desnecessária e até inoportuna para o clima da festa da vitória e na presença do ex-presidente Lula, porquanto corrupção e PT se confundem no Brasil, pelo histórico dos três governos do partido. Assim, a citação da presidente reeleita parece demonstrar que esse seu segundo governo será um governo de libertação dela própria das amarras do PT, pelo desejo se inscrever na História do Brasil como uma estadista. Por oportuno, é bom recordar que a sua origem partidária é o PDT e não o PT. Não sendo mais candidata, de repente, a presidente Dilma desejará imprimir o seu próprio estilo, empenhando-se no comando de um governo compromissado com a eficiência administrativa e com a moralidade no uso e no emprego do dinheiro público.

Se assim for, que Deus salve Dilma do PT!

Um comentário em “Dilma venceu no “país” do Bolsa Família e perdeu no “país” que trabalha e que produz

  • outubro 27, 2014 em 12:48
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    Adail.. Esta visão que a maioria dos nordestinos votam pelo assistencialismo é torpe. A criação de milhares de empregos na região e as universidades abertas deram o salto de Desenvolvimento da região o que faz o nordeste crescer a níveis chineses todos os anos..

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