Ou as pesquisas estão erradas, ou o nosso povo perdeu a capacidade de se indignar

Estamos na reta final do segundo turno da eleição presidencial deste ano. E, como diz o ex-presidente Lula, nunca esteve tão fácil para se fazer a escolha, como desta vez. Mas, ao contrário da escolha que ele sugere, a escolha mais adequada e recomendável aponta para a candidatura do senador Aécio Neves, porquanto já nos encontramos além do limite de uma razoável tolerância com a desonestidade, com a improbidade e com a corrupção. Doze anos com a marca de tudo isso, como nunca antes se viu neste País. A inteligência mediana do cidadão está sendo afrontada, desconsiderada, desrespeitada. Ora, depois de tudo o que a sociedade brasileira assistiu sobre o Mensalão, o mínimo que se poderia esperar é que houvesse uma outra linha de direção e comportamento dentro do governo e dentro do PT, numa espécie de orientação do tipo “quem roubou, roubou, quem não roubou, não rouba mais”. Mas, pelo que se continua assistindo, não houve choque algum, não houve mudança alguma, ninguém alterou o comportamento de ninguém, tanto dentro do governo, quanto dentro do PT.

E o mais grave é que se diz que a ação da quadrilha criminosa dentro da Petrobrás faz corar o Mensalão, da mesma forma, como o Mensalão fez corar o “impeachment” do ex-presidente Collor, hoje aliado de Lula, de Dilma, do PT.

Jornais e revistas estão noticiando que a campanha de Dilma, em 2010, foi financiada, em boa parte, com o dinheiro da corrupção da Petrobras. E, questionada em debate, Dilma se faz de desentendida e muda de assunto. O que não é de surpreender, porque o ex-presidente Lula até hoje continua afirmando que o Mensalão não existiu e que, um dia, a história vai contar o que aconteceu. Impressiona o grau da desfaçatez, seja de Dilma, seja de Lula, porquanto não faz sentido o discurso falso da candidata à reeleição de que ela investiga. Ora, se a roubalheira na Petrobrás se deu nos governos de Lula e de Dilma, como explicar que ninguém tivesse tomado conhecimento, por conta da “investigação” que Dilma diz promover?

Aliás, se, nessa confusão toda, havia emergido os nomes de José Jatene, deputado morto e que liderava o PP, e de André Vargas, que vive um compasso de espera no processo da cassação de seu mandato, agora acaba de aparecer um terceiro nome do Paraná, o da senadora Gleisi Hoffmann, que teria, na sua campanha ao Senado de 2010, recebido um milhão de reais do esquema da Petrobrás. Se Dilma põe fé na acusação de Paulo Roberto Costa de que o senador Sérgio Guerra, já morto e que presidiu o PSDB, recebeu propina do mesmo esquema para esvaziar uma CPI da Petrobrás, é razoável que mereça fé também tudo o mais que o criminoso vem afirmando, inclusive, esse dinheiro para Gleisi Hoffmann.

Em se tratando de tudo o que se viu nos dois governos de Lula e que está a se ver também no governo de Dilma, chega-se à conclusão de que tal proceder é uma marca registrada do PT. Que essa marca constitua o DNA do PT já não surpreende mais, pelas notórias evidências de uma impressionante sequência de fatos. Porém, o que surpreende – e muito – é o grau de tolerância de nossa gente, que parece ter aceitado a banalização da corrupção, com uma perda irreparável de sua capacidade de indignação, de revolta, de protesto.

Ou as pesquisas estão mentindo, nesse impressionante empate técnico, ou a sociedade brasileira, de fato, se deu por vencida na sua resistência à imoralidade, à desonestidade, à corrupção, no perigoso e ameaçador senso comum de que “todo mundo rouba”.

O senador Aécio Neves, com certeza, não é nenhum santo a ser levado aos altares. Mas, está coberto de razão, quando diz a Dilma: “Não me meça com a sua régua”. E, em outra fala, dirigindo-se a Dilma, sobre esses fatos da Petrobrás: “Ou você foi omissa, ou é conivente com tudo isso’. E Dilma desconversou.

Pela prevalência dos bons costumes e pela necessidade de um governo decente, a escolha, de fato, nunca esteve tão fácil, pois é Aécio Neves.

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