De líder do governo, George passa a ser “líder da oposição” ao prefeito Marcelo Rangel

O vereador George Luiz de Oliveira rompeu ontem, em acalorado discurso na Câmara Municipal, com o governo do prefeito Marcelo Rangel. Sem surpresa alguma, pois, no curso da campanha disse um dia ao vereador Antônio Laroca Neto que ele perderia, depois das eleições, o posto de líder da oposição no Legislativo para o vereador George Luiz de Oliveira, que romperia com o prefeito, por não ter merecido dele o apoio que ele esperava receber em sua campanha para deputado estadual. E, para atestar essa previsão, que, na verdade é uma análise racional dos fatos, escrevi, ainda ontem, que George poderia, sim, ir para a oposição. Transcrevo, aqui, o escrito de ontem: “Aliás, em tom de brincadeira, dizia-se no curso da campanha que o vereador George Luiz de Oliveira, na volta para a Câmara Municipal, assumiria o comando da oposição ao governo municipal. Talvez não chegue a tanto, da mesma forma, como não deverá ter o mesmo entusiasmo de antes na defesa do governo e do prefeito. A camisa vestida antes pode ter encolhido.”

Pelo que George discursou, ontem, a camisa, mais que ter encolhido, rasgou, se desfez, descoloriu. Mais que ter deixado a liderança do governo, George abriu uma séria crise política na base de apoio ao governo do prefeito Marcelo Rangel na Câmara Municipal.  Ao mesmo tempo em que cria um clima de constrangimento ao que sobrar da base de apoio, coloca o governo numa situação bastante delicada, por proclamar, de público, o que é sabido nas ruas e nas esquinas, em relação ao despreparo pessoal de Marcelo Rangel para governar a cidade e a difícil situação financeira em que se encontra a Prefeitura Municipal.

É claro que o prefeito Marcelo Rangel é o culpado por tudo isso, porque foi ele que semeou a discórdia na campanha eleitoral e, agora, colhe essa tempestade, provocada pelo seu ex-líder de governo. Aliás, o vice-líder do governo, vereador Romualdo Camargo, que também foi candidato a deputado estadual, igualmente, se desfez de sua condição de defensor do governo, devolvendo o posto ao prefeito da cidade.

Ainda no comentário de ontem, foi lembrado que o prefeito Marcelo Rangel tinha um compromisso político de apoiar a reeleição do deputado Plauto Miró Guimarães Filho, por conta de um acordo celebrado por ocasião de sua candidatura a prefeito, em 2012. Plauto, que nunca foi amigo dos irmãos Cruz de Oliveira, acabou desistindo de sua pretensão em se candidatar, novamente, a prefeito e concordado em apoiar a candidatura de Marcelo Rangel, para facilitar as coisas em Ponta Grossa para o governador Beto Richa, de quem é amigo pessoal. Não custa repetir, que Plauto abriu mão de sua própria candidatura e, logo em seguida, do direito de indicar o candidato a vice-prefeito, que seria o seu amigo João Ney Marçal Filho, em favor da colocação do nome do então vereador Dr. Zeca, que possuía um maior apelo eleitoral, pelo fato de ser médico e de ter sido o vereador mais votado da cidade. Tudo isso, em troca de apoio fechado para 2014, quando buscaria uma nova reeleição a Assembleia Legislativa.

Por não ter o controle do que seria um grupo político, em suas mãos, permitiu que seu vice-prefeito se candidatasse a deputado estadual e, assim, também o seu líder de governo na Câmara Municipal. Aos olhos da opinião pública, nesse ponto, o prefeito traiu o deputado Plauto. E, na sequência, deve também, de alguma forma, ter traído o seu vice-prefeito e o seu líder de governo. Se traição não tivesse existido, o vereador George Luiz de Oliveira não teria pronunciado o forte discurso que pronunciou.

Em ritmo de desespero, fala-se agora numa ampla reforma do secretariado. Ou do que dele ainda existe da formação original, do início do governo.

Tudo em meio ao incêndio provocado pelo vereador George Luiz de Oliveira.

Como no governo não há bombeiro, o incêndio tem tudo para se alastrar.

 

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